Concurso de moda exalta criações pensadas para pessoas com deficiências

As roupas foram apresentadas no 3º Concurso Ceará Moda Acessível, no Festival de Moda de Fortaleza.

G1 CE

assarela do Festival de Moda de Fortaleza (FMF), no Maraponga Mart Moda, apresentou desfiles de modelos com todos os tipos de deficiência vestindo criações pensadas especialmente para eles, no 3º Concurso Ceará Moda Acessível, ocorrido nesta terça-feira (24).

As roupas misturam tendências, criatividade e acessibilidade, e foram feitas pensando em pessoas com deficiências, que são consumidores comuns, mas nem sempre são atendidos pelo mercado da moda.

O primeiro lugar do concurso foi para Alison Pinho. Ele explica que suas criações pretendiam ressaltar a batalha diária que pessoas com deficiência enfrentam, portanto, dando uma ideia de que os modelos eram super-heróis. “Acredito que ter uma deficiência em uma sociedade tão cheia de preconceitos como a nossa é enfrentar uma batalha todos os dias”, comentou.

Robério da Silva é cadeirante e desfilou com um dos looks do estilista vencedor. Para ele foi uma sensação de “estar gigante”.

“Somos gente, antes e acima de tudo. Esta é a primeira vez que piso em um palco e minha sensação foi de estar gigante, mostrando para todas aquelas pessoas que minha deficiência não deve ser motivo de exclusão, pelo contrário, deve ser mais um motivo para pensar no outro”, reforçou.

Consciência
O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Jacinto Araújo, destacou que pessoas com deficiência devem ter o direito e a chance de fazer qualquer coisa, por isso é preciso promover a acessibilidade. “As roupas devem ser acessíveis e vestir a todos. Penso que é questão de consciência, de exercitar alteridade”, completou.

Cerca de 2,3 milhões de cearenses apresentam alguma deficiência, seja ela física, auditiva, visual, mental ou múltipla, segundo dados do último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O evento foi realizado pela Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), por meio do Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid).

O Cepid, com unidade na Barra do Ceará, oferece serviços de orientação psicossocial, cursos de formação e qualificação, intermediação para o mercado de trabalho, e atende, em média, 150 atletas com deficiência por ano.