Crato incentiva trabalhadores da agricultura familiar com capacitação sobre Economia Solidária

A Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Recursos Hídricos do Crato (SDARH), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (EMATERCE) e Associação dos Agricultores do Sitio Bebida Nova, promoveu na manhã de ontem, 14, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, curso de capacitação sobre Economia Solidária para agricultores que fazem parte das feiras da agricultura familiar, apoiadas pela SDARH.

A formação, ministrada por Maria Ianamar Xavier, membro do Fórum Caririense da Economia Solidária (FOCAES), teve como parâmetro abordar o significado do desenvolvimento de projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, redes de produção, comercialização e consumo.

A economia solidária se expressa em organização e conscientização sobre o consumo responsável, fortalecendo relações entre campo e cidade, entre produtores e consumidores, e permitindo uma ação mais crítica e proativa dos consumidores sobre qualidade de vida, de alimentação e interesse sobre os rumos do desenvolvimento relacionados à atividade econômica.

Segundo a Gerente da Célula de Apoio à Agricultura familiar da SDARH Crato, Jéssica Tayane Lima, é muito importante trazer essa temática para os agricultores familiares. “Com as informações repassadas durante o momento, os trabalhadores irão conhecer a Economia Solidária como um todo, desenvolvendo assim um trabalho sustentável e consideravelmente mais fortalecido”, avalia.

“Essa capacitação pode nos orientar melhor sobre a economia solidária, algumas coisas já até colocamos em prática, mas com os conhecimentos adquiridos hoje, podemos melhorar ainda mais a qualidade do nosso trabalho”, disse a agricultora Francisca Lopes dos Santos Eufrásio (Tica), do Sítio Corujas, da localidade do Belmonte.

Para o Secretário de Desenvolvimento Agrário e Recursos Hídricos do Crato, Zilcelio Alves, essa capacitação serviu para enfatizar os conhecimentos dos agricultores em relação a um trabalho cada vez mais focado na qualidade e na sustentabilidade. “O trabalho que estamos desenvolvendo junto aos agricultores familiares dinamiza a economia local, garante trabalho digno e renda às famílias envolvidas, além de promover a preservação ambiental”, destaca.

Para saber mais:

A Economia Solidária pode ser definida em três dimensões:

1. Economicamente, é um jeito de fazer a atividade econômica de produção, oferta de serviços, comercialização, finanças ou consumo baseado na democracia e na cooperação, o que chamamos de autogestão: ou seja, na Economia Solidária não existe patrão nem empregados, pois todos os/as integrantes do empreendimento (associação, cooperativa ou grupo) são ao mesmo tempo trabalhadores e donos.

2. Culturalmente, é também um jeito de estar no mundo e de consumir (em casa, em eventos ou no trabalho) produtos locais, saudáveis, da Economia Solidária, que não afetem o meio ambiente, que não tenham transgênicos e nem beneficiem grandes empresas. Neste aspecto, também simbólico e de valores, estamos falando de mudar o paradigma da competição para o da cooperação da inteligência coletiva, livre e partilhada.

3. Politicamente, é um movimento social, que luta pela mudança da sociedade, por uma forma diferente de desenvolvimento, que não seja baseado nas grandes empresas nem nos latifúndios com seus proprietários e acionistas, mas sim um desenvolvimento para as pessoas e construída pela população a partir dos valores da solidariedade, da democracia, da cooperação, da preservação ambiental e dos direitos humanos.