Estudo mostra que o uso de celular em excesso aumenta depressão e ansiedade

dezembro 1, 2017 15:080 comentários

Vício em smartphones provoca alterações químicas no cérebro Foto: FRED DUFOUR / AFP

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O uso em excesso de aparelhos eletrônicos e da internet é conhecido por impactar a vida social das pessoas. Mas um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Coreia, em Seul, na Coreia do Sul, mostrou que adolescentes viciados nessas tecnologias têm maior chance de sofrer com problemas como depressão, ansiedade, insônia e impulsividade. Além disso, exames de ressonância magnética revelaram que a dependência provoca alterações no equilíbrio químico do cérebro.

A pesquisa, apresentada no encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte, que se encerra hoje, em Chicago, nos Estados Unidos, foi realizada com 38 pessoas, divididas em dois grupos iguais. De um lado, estavam jovens com idade média de 15,5 anos e diagnosticados com vício em smartphone ou internet, e do outro, um grupo de controle também composto por 19 pessoas da mesma faixa etária e divisão de gênero. Doze dos viciados, fizeram sessões de terapia cognitivo-comportamental por um período de nove semanas.

Os pesquisadores aplicaram aos voluntários questionários para medir a severidade da dependência, com perguntas sobre como o uso da internet e do smartphone afeta suas rotinas diárias, vida social, produtividade, padrões de sono e sentimentos. Os adolescentes viciados tiveram notas maiores para depressão, insônia, ansiedade e impulsividade.

— Quanto maior a nota, mais severa é a dependência — explicou Hyung Suk Seo, professor de neurorradiologia na Universidade da Coreia e líder da pesquisa.

Terapia ajuda a normalizar desequilíbrios

Os jovens também passaram por exames de ressonância magnética, antes e após a terapia, para medição dos níveis de ácido gama-aminobutírico (conhecido pela sigla GABA), neurotransmissor que inibe ou reduz os sinais cerebrais; e de glutamato-glutamina (Glx), neurotransmissor que estimula os neurônios. Estudos anteriores mostraram que o GABA está envolvido na visão, no controle motor e na regulação de diversas funções cerebrais, incluindo a ansiedade.

Os resultados revelaram que, em comparação com o grupo de controle, a razão entre GABA e Glx era maior na região nos adolescentes viciados antes da terapia. Segundo Seo, o resultado dos exames de ressonância magnética estão de acordo com os obtidos nos questionários que avaliaram a dependência dos jovens.

A presença em excesso do GABA resulta em vários efeitos colaterais, como a sonolência e a ansiedade. A boa notícia é que, após a terapia cognitivo-comportamental, os níveis do GABA foram reduzidos ou normalizados.

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