Flávia Alessandra, mãe que abandonou filha em novela, fala de maternidade na vida real

Flávia, de 45 anos, refletiu sobre a questão do abandono materno graças a Helena, sua personagem na trama das sete. Foto: Dessa Pires

Flávia Alessandra é uma mãe dedicada. Logo nos primeiros minutos desta entrevista, ela pede licença para responder uma mensagem da caçula, Olívia, de 9 anos, fruto do casamento com o apresentador Otaviano Costa.

— Voltou às aulas e foi com uma mochila de rodinha para a escola, mas, quando percebeu lá que todo mundo já levava o material nas costas, perguntou se podia fazer o mesmo — explica a loura, de 45 anos, que não economiza na troca de mensagens com as filhas em seu dia a dia (ela também é mãe de Giulia Costa, de 19, do relacionamento com Marcos Paulo).

O instinto maternal da atriz — que cedeu ao pedido de Olívia — é tão forte que sobra até para a repórter, que foi para este bate-papo com a artista sem a identidade. Flávia não poupa no puxão de orelha.

— Como assim você anda sem documento? — espanta-se ela, que, entre uma pergunta e outra, aproveita para dar conselhos sobre a relação de mãe e filha.

Diante de tanta amabilidade, fica até difícil acreditar que em “Salve-se quem puder”, na pele de Helena Santamarina, Flávia vive uma mãe que abandonou a filha quando ela tinha 4 anos:

Flávia Alessandra é mãe de Olívia, de 9 anos, e de Giulia, de 19 anos
Flávia Alessandra é mãe de Olívia, de 9 anos, e de Giulia, de 19 anos Foto: Dessa Pires

— No início, foi muito difícil aceitar que Helena largou Luna (Juliana Paiva). Tanto que meu primeiro instinto foi recusar o papel. Quando a proposta chegou sem explicação para o abandono, eu fiquei: “Como assim? Não tem motivo? Não, não pode”.

Mas não demorou para o enigma em torno do passado da administradora do Empório Delícia — que deixou sua cria com o ex no México e recomeçou a vida no Brasil — conquistar Flávia.

— Esta é a primeira vez em que faço um papel tão misterioso em 30 anos de carreira. Passar esse lado dúbio é muito instigante, um desafio na interpretação. Estou pronta para essa mulher ser bacana ou se revelar uma grande filha da mãe, fria, que só quis se dar bem — diz.

Como ela sabe tão pouco quanto o público sobre o passado da personagem, resta-lhe apenas mergulhar em mil teorias.

— Acho que existe algum crime por trás. Porque, como diz Hugo (Leopoldo Pacheco, que faz o marido de Helena), ela “não pode voltar àquele lugar depois do que cometeu”. Não é só um abandono propriamente dito, existe algo pior aí — supõe Flávia, que, inspirada na possível ligação da empresária com o mundo do crime, incorporou uma mafiosa neste ensaio.

A artista acredita que Helena possui um passado criminoso em 'Salve-se quem puder'
A artista acredita que Helena possui um passado criminoso em ‘Salve-se quem puder’ Foto: Dessa Pires

Além do ineditismo de viver uma mulher de caráter duvidoso, Flávia experimenta pela primeira vez o gostinho de ser mãe de um homem adulto, já que sua personagem trata o enteado, Téo (Felipe Simas), como se o tivesse colocado no mundo:

— É uma relação diferente, porque eu não tive filho homem, não sei como ser mãe de um rapaz. Quando atuo com Sabrina Petraglia (a Micaela, outra enteada de Helena), é mais fácil, porque sei lidar com uma filha crescida. Por isso, tem momentos em que pergunto para o Simas: “Felipe, tá muito ridículo? Pode falar!”, porque Helena mima muito o Téo! E ele diz: ‘‘Não, é fofinho”. É novo ser mãe de um homão feito.

Apesar de estar curtindo a novidade, a atriz, natural de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio, nunca tentou ter um menino na vida real:

— Não tive esse desejo, e o Otaviano também não. Então, nós fechamos para balanço (risos).

As duas herdeiras que já tem (“São mulheres das quais vou me orgulhar”, diz) serão as responsáveis por dar continuidade à soberania feminina na família Costa.

— Giulia e Olívia não têm nada a ver uma com a outra. Uma é mais forte, a outra, mais dócil… Jujuba (apelido da primogênita) ama guloseimas, enquanto Olívia não gosta de comida. Nem fisicamente elas são parecidas. Enquanto uma é preta, a outra é branca. A mais velha é boazuda, já a caçula é magrela… — pontua, abrindo um sorriso típico de mãe babona.

Embora emane amor pela maternidade, Flávia admite ter vivenciado sentimentos complicados na função de mãe. Um deles foi a culpa por voltar ao trabalho pouco tempo depois do nascimento de ambas as filhas:

A loura é natural de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos
A loura é natural de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos Foto: Dessa Pires

— Quando nos tornamos mães, o ingrediente culpa aparece mesmo sem cometermos erros. A gente pensa: “Estou deixando meu filho para trabalhar”. E isso é errado? Claro que não. Mas não adianta, você vai sentir culpa. Tanto na gravidez da Giulia quanto na da Olivia, eu disse que não iria gravar tão cedo e, nas duas vezes, voltei ao batente quando elas estavam com 3 meses (risos).

Outro ponto de reflexão para Flávia, desta vez como mulher, é a autoconfiança.

— Isso de ser uma mulher confiante é engraçado, porque eu não me via nem era uma mulher assim. Tinha dúvidas, sim, principalmente em relação ao trabalho. Nós que somos artistas ficamos expostos, sujeitos a críticas. Não existe essa segurança. Minha personagem pode estar lá representando isso, mas a Flávia, aqui, continua com os questionamentos, o frio na barriga e se atirando no escuro — desabafa.

Felizmente, o tempo a ensinou como lidar com a exposição natural do ofício. No entanto, essa tranquilidade com os holofotes e o assédio não se mantém tão firme quando se trata de Giulia. Perto de completar 20 anos, a moça é uma celebridade cobiçada pelos paparazzi — especialmente quando dá um mergulho na Praia da Barra, onde mora a família:

— O mundo mudou muito desde que eu comecei a carreira. Não existia essa exposição que existe hoje, tínhamos um punhado de revistas e só. Jujuba sabe lidar com essas coisas melhor do que eu porque cresceu nessa era. Eu não deixo de fazer o que quero por causa disso, mas também não acho uma delícia. Se eu pudesse, optaria por ter a minha privacidade.

Flávia é mãe de duas meninas: Olívia e Giulia
Flávia é mãe de duas meninas: Olívia e Giulia Foto: Dessa Pires

Na intimidade, aliás, a loura garante não ser nada parecida com a figura de mulher fatal com a qual o público a associa.

— Passo o dia inteiro jogada no sofá quando estou de férias, mas ainda invento moda e vou arrumar um armário. Jujuba, que é muito bagunceira, diz que eu tenho mania de organização (risos). Mas é que gosto de cuidar da casa, do meu lar — justifica Flávia: — Temos uma vida normal. A gente gosta de ir para o fogão. Jujuba também cozinha, Olívia faz omelete…

Além de botar ordem na casa, Flávia compartilha outras atividades “gente como a gente” que aprecia:

— Gosto de ir a shows ou ao cinema. Com Otaviano, especificamente, também curto tomar um vinho e assistir a séries até de madrugada.

Para a tristeza de Flávia, no entanto, os programas de casal estão menos frequentes neste início de ano. Isso porque Otaviano se prepara para a estreia de um novo programa, o reality “Extreme makeover Brasil”, em março, no GNT:

— Está sendo muito difícil porque é a primeira vez em que ficamos tanto tempo separados em 13 anos de casamento. Ele já viajou, eu já viajei… Porém, uma coisa é saber que a pessoa está do outro lado do mundo, outra é ela estar aqui em São Paulo. Ele não consegue vir para casa, e eu não posso vê-lo. E nossas folgas nunca combinam. Ainda bem que hoje existe telefone e videochamada. Fico pensando como era na época da minha mãe, quando meu pai ficava cinco meses fora. Caraca!

*Extra Online

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