Letícia Colin abraça o reconhecimento: “minha vida foi toda em função da atuação”

Ao risos Letícia Colin, de 28 anos, assume: até ela gostaria de ter uma amiga como Rosa, papel que interpreta em Segundo Sol, trama das 9 da TV Globo. “Ela é uma personagem muito autêntica, que fala o que pensa, é uma mulher feminista, dona do seu corpo, livre e que também defende a liberdade das mulheres da família, da mãe, da irmã. É muito lindo ver alguém que não tem medo de se colocar, de existir, de ser e pensar diferente. Para mim, a Rosa é muito comovente. E acho que o bom humor dela, que é muito brincalhona e debochada, é muito gostoso. Tenho prazer em conviver com pessoas assim”, diz a atriz sobre a personagem da qual se despede na próxima semana.

Dividindo há pouco mais de um ano o mesmo teto com o ator e apresentador Michel Melamed, de 42, Letícia é bem parecida com a descrição que faz da baiana que conquistou o coração de Ícaro (Chay Suede), de Valentim (Danilo Mesquita) e do público. Extremamente engajada nas questões políticas e sociais, a atriz aderiu à campanha Vira Voto, antes do segundo turno das eleições, e foi para as ruas para conversar com eleitores indecisos sobre a importância do voto pela democracia e contrário a Jair Bolsonaro (PSL). “Fomos para rua pra ouvir. Para abraçar. Para pensar junto. Para trocar informações! Democracia é poder olhar no olho, trocar ideias, se manifestar livremente. Eu luto e lutarei pela liberdade e pela vida. Eu agora torço para o presidente eleito fazer um governo que atenda e proteja todos”, afirma ela, que quer relaxar depois do fim da novela. “Quero visitar minha família em São Carlos, interior de São Paulo, ficar um pouco com meus pais, e, quem sabe, ir para a Bahia fazer um retiro”.

“Ela é uma personagem muito autêntica, que fala o que pensa, é uma mulher feminista, dona do seu corpo, livre e que também defende a liberdade das mulheres da família, da mãe, da irmã. É muito lindo ver alguém que não tem medo de se colocar, de existir, de ser e pensar diferente. Para mim, a Rosa é muito comovente. E acho que o bom humor dela, que é muito brincalhona e debochada, é muito gostoso. Tenho prazer em conviver com pessoas assim.  Tenho uma amiga baiana com o humor muito parecido com o da Rosa, que tem uma perspicácia, uma rapidez… Sabe aquele amigo que por mais que as coisas estejam difíceis vai falar coisas engraçadas? Vai zoar e fazer uma piada inteligente? É agradável estar perto de pessoas assim. Acho que por isso um monte de gente gostou da Rosa. Senti muito carinho nas ruas. E pessoas da minha família, meus amigos, pessoas que confio falam coisas muito carinhosas sobre ela”.

Letícia Colin Aspas (Foto: )

Letícia Colin (Foto: Thiago Bruno/ Divulgação)

CRÍTICAS
“Ser reconhecida é gostoso, fico muito feliz. A Rosa é um papel muito especial. Comemoro e vibro junto com a minha família porque trabalho há muitos anos. Claro que nunca trabalhei para a crítica, para ganhar prêmio ou para ser bem avaliada. Mas é legal quando reconhecem porque são pessoas que respeito, que assistem novela há muito tempo e têm o olhar treinado. É uma galera que entende muito do fazer novela. Então comemoro e sigo o trabalho. Dei para a Rosa a mesma atenção e dedicação que sempre dou para todos os personagens da minha carreira. Fico muito voltada para o papel que estou vivendo, estudando, pesquisando. Minha vida toda foi em função da atuação. Sempre fiz isso e vou continuar fazendo do mesmo jeito”.

EQUIPE
“O Dennis (Carvalho, diretor artístico de ‘Segundo Sol’) capitaneando a produção com a Maria (de Médicis, diretora geral da novela) preza muito pela liberdade do elenco, então me senti muito à vontade para criar e ficar confiante naquela personagem. Eles foram responsáveis pelo sucesso da novela. O tom de Segundo Sol é de muita união do elenco, de muito jogo cênico. Trazemos a novela para um lugar mais realista e humano. Esse tom vem dos diretores”.

APRENDIZADO
“Vou levar os encontros sobre dramaturgia, sobre a figura da mulher. ‘Segundo Sol’ é uma novela com muitas personagens femininas importantes, foi muito poderoso e transformador ter contato com esses arquétipos tão próximos da gente durante tantos meses. Estar em cena com Adriana Esteves (que interpreta a Laureta na história) foi um divisor na minha carreira. Vou levar comigo os encontros pessoais”.

Letícia Colin Aspas (Foto: )

FINAL
“Não torço para a Rosa terminar com ninguém. Acho, inclusive, que ela poderia terminar sozinha, cuidando do filho. Acho que tudo é tão possível nas novelas do João Emanuel (Carneiro, autor de ‘Segundo Sol’). E a Rosa é uma personagem muito forte, autêntica, que preza muito pela liberdade dela, então tudo pode acontecer porque a gente construiu muito bem. Tenho muito orgulho do triângulo, da relação dela com o Valentim e o Ícaro. Essas relações são possíveis e sólidas, mas acho que a Rosa também poderia terminar só”.

Letícia Colin (Foto: Thiago Bruno/ Divulgação)

DESTAQUES
“Tem um filme que fiz, chamado ‘Ponte Aérea’, que foi muito importante e me marcou muito como experiência dramatúrgica. Também foi um bonito encontro com a diretora, que é a Júlia Rezende. Nele, faço a Amanda, uma publicitária, uma mulher do nosso tempo, bem-sucedida, que tem uma relação com o Bruno (Caio Blat). Ali tive um salto interno de interpretação, da minha ferramenta como atriz, que foi muito especial. Outro papel que destacaria na minha trajetória é a princesa Leopoldina, da novela ‘Novo Mundo’. Foi realmente muito mágico para mim fazer uma personagem tão importante para a história do Brasil, que me levou para uma outra época e me fez modificar tudo: a voz, o corpo, o rosto, o cabelo”.

ESTUDO
“A interpretação é um trabalho que nos dá oportunidade de exercitar empatia num nível muito profundo e revolucionário. Quando fazemos um laboratório para nos imaginarmos num lugar é uma experiência muito curativa. Para mim deveria ser um exercício de humanidade que todo mundo deveria fazer. Me interesso pela vida, por momentos históricos, políticos. Me sinto viva e cheia de energia quando estou estudando e criando uma personagem. Gostaria que mais pessoas pudessem sentir isso também”.

Letícia Colin Aspas (Foto: )

EM CASA
“Gosto de meditar, de praticar ioga, de ficar com o Michel de bobeira vendo um filme ou cozinhando. Tem dias e dias. Tem semanas da novela que são muito complexas e realmente só penso naquilo, só estudo aquilo. Tem outras em que consigo colocar um pouco mais de poesia, as cenas são de outra maneira, então lembro de uma música e passo uma semana ouvindo o álbum daquele artista que adoro. É uma jornada. Tem vários momentos. Tem o final de semana que não quero fazer nada e ficar na cama vendo série. Tem outro que consigo viajar, encontrar os amigos. Não é fácil a rotina de gravação, mas é maravilhosa”.

PRIORIDADES
“Fui percebendo que o tempo é uma questão de prioridades, escolhendo o que é mais importante e tocando a vida. Tem momentos que dá para fazer mais coisa e outros que tenho que entender que fico mais por conta da novela mesmo. Novela é um processo longo, são várias fases que vivemos ao longo de 8, 10 meses. Tem momentos em que estou com mais energia para malhar, outros em que dou uma descansada”.

CONECTADA
“Hoje, com as redes, estamos mais perto do público, que interage, comenta as cenas em tempo real. É uma nova maneira da gente se relacionar. Posso estar gravando e as pessoas nas casas delas e é possível saber o que elas estão achando. É interessante, é muito vivo. Está todo mundo vivamente conectado, é uma nova maneira. Também estou aprendendo a trabalhar assim, a ser assim, está tudo muito novo, é um novo momento”.

MICHEL
“Estamos juntos há 3 anos. Nos conhecemos durante a gravação do programa dele, o ‘Bipolar Show’, que vai ao ar no Canal Brasil. Fui gravar e começamos a conversar. Nosso primeiro encontro foi lá. Foi muito especial e lindo. Fomos morar juntos só dois anos depois. Tudo nele me encanta. O Michel é muito amoroso, aberto para a vida, para pensar diferente, para cuidar das coisas e das pessoas. É um cara que preza muito pelo valor humano e pela criatividade. É muito criativo, luminoso, uma pessoa que é atenta aos acontecimentos da vida, que observa tudo com poesia, com precisão. Admiro demais o Michel! É um prazer poder estar todo dia junto com ele. Amamos estar juntos e queremos aprofundar cada vez mais a nossa história, a nossa vida, a nossa trajetória, então naturalmente vamos querer ter filhos. Entendo que existam casais que não tenham isso como plano, mas para a gente é natural”.

Letícia Colin Aspas (Foto: )
Letícia Colin (Foto: Thiago Bruno/ Divulgação)

BUDISTA
“Vai fazer 4 anos que sigo as reuniões do budismo de Nichiren Daishonin. Elas acontecem na casa das pessoas, é um budismo que nos encontramos semanalmente e pratico diariamente na minha casa a minha oração. O budismo acredita muito em potencializar o que temos de melhor, aceitando que há estágios mais baixos em que podemos focar nos momentos bons, em que conseguimos estar mais presentes, conscientes, amorosos e iluminados. É voltado para a gente se trabalhar e estar no nosso melhor o máximo de tempo possível. Ele não acredita num Deus, a gente que é responsável por tudo o que está passando. É uma ligação muito honesta com a vida, o papo é muito reto e não tem pedido para ninguém. Você conquista o que quer e precisa. Me identifico muito com esse pensamento”.

MOMENTO POLÍTICO
“As pessoas estão abraçando o medo e ele não é um bom conselheiro. Acho que o medo nos faz querer atacar os outros e responder com violência. E violência só semeia violência. Tem muita gente distante da criação de valor, da compaixão, da empatia, da responsabilidade que nós temos. É uma política do medo, ‘do meu é mais importante’. Ao mesmo tempo, tenho muitos amigos e até pessoas desconhecidas que são amorosas e estão conectadas, que percebem que precisamos uns dos outros. Fazemos parte de uma conexão gigante. A falta de amor de um para o outro faz com que o medo vá ganhando essa proporção perigosa”.

Letícia Colin Aspas (Foto: )

PREPARAÇÃO
“Me preparei fisicamente para a Rosa não por ter cenas expostas, mas sim por ser uma garota de programa de luxo, que é muito sarada. Fui atrás dessa característica por causa do papel, para contar aquela história. Do mesmo jeito que na Leopoldina usava enchimentos, fui atrás do preparo físico que a Rosa precisava.”

EXERCÍCIO
“O meu personal, que é o João Jordano, mistura vários exercícios. Tem dias que fazemos mais funcional, com o ritmo cardíaco mais alto, suo mais, tem treinos para desenvolver força, outros na academia com aparelhos. Cada dia fazemos um treino diferente, gosto dessa dinâmica. Não costumo fazer aeróbico. E agora estou fazendo ioga duas vezes por semana e malhando três. Incorporei a ioga na minha rotina recentemente porque estava sentindo saudade de praticar um exercício que também unisse meditação. Sou budista, vou ouvindo meu corpo, minha cabeça, vendo o que preciso fazer e assim vou me adaptando”.

ALIMENTAÇÃO
“A minha nutricionista é a Patricia Davidson. Há muito tempo venho trabalhando com ela uma nova relação com a minha alimentação, para ter mais saúde e energia, através do consumo de alimentos que sejam vivos e orgânicos. Hoje em dia como o que tenho vontade, mas ao longo do tempo fui gostando de comer alimentos saudáveis. Não deixo de comer um doce, um brigadeiro numa festa, mas não tenho mais vontade. Fui me reequilibrando, principalmente emocionalmente, com a ajuda da meditação e da ioga, e atualmente como o que meu corpo deseja. E nosso corpo, quando está mais equilibrado, deseja menos coisas que são prejudiciais à saúde”.

Letícia Colin (Foto: Thiago Bruno/ Divulgação)

CRÉDITOS
Fotos: Thiago Bruno
Designer de capa: Gabriel Pontes
Styling: Bruno Pimentel
Beleza: Carol Catalão

*Conteúdo: Revista “Quem”