MODA. Von Trapp, destaque da temporada de lançamentos

Em mulheres poderosas, diz Marcelo Trapp, a feminilidade está nos detalhes de franjas (Foto: Ines Rozario)

As semanas de moda chegam ao final, depois das coleções vistas em Nova York, Londres, Milão e Paris mostrando o verão 2020 no hemisfério norte e o inverno 2020 no Rio, São Paulo e Belo Horizonte, cumprindo a agenda de dois meses de lançamentos.

Eleger os rankings deve obedecer a critérios que iriam de criação de roupas a produção dos espetáculos – neste quesito são obrigatórios o cenário de telhados parisienses da Chanel e a floresta de árvores de verdade, prontas para o plantio, da Dior. Depois das quatro grandes das semanas internacionais aumentam os comentários sobre o poder crescente do evento em Hong Kong. Vale acompanhar, por enquanto, de longe.

Mas enaltecer a criação nacional é o melhor critério. Neste caso, vale conhecer a história de um participante do Veste Rio que merece destaque pela roupa, pela performance e pela sábia conceituação do trabalho.

Sem grandes cenários nem iluminações feéricas. Apenas 10 looks exibidos. Sem agenda exclusiva, pelo contrário, inserido em um coletivo de talentos considerados novos. Ainda assim, o desfile da Von Trapp surpreendeu pela coerência, elegância e criatividade: todas as peças em vermelho, todas com detalhes semelhantes de plissados e franjados.

“Foi uma tentativa de construção de um coletivo de mulheres potentes. Um feminino empoderado sem deixar de lado os fetiches do sexy, as franjas, por exemplo” define o chileno Marcelo Trapp, 35 anos, que desfilou a marca pela terceira vez no Rio, nos três anos da Von Trapp.

Tão pouco tempo não significa que seja um iniciante. Seu currículo começa no campus de Moda e Arte em Caxias do Sul (RS), pela St. Martin de Londres e três meses em uma marca de Saville Row. “Não exatamente um estágio, era mais um observador”. Munido destas bases, o primeiro emprego na volta ao Brasil foi na gigante Grendene. De lá, passou pela Renner como diretor de estilo do setor masculino, pelas coleções assinadas da C&A, pela linha Noir da Le Liz Blanc, com Helena Montanarini.

“Depois de sair da indústria, dei uma abstraída. Participei mais performático da Casa dos Criadores (evento de novos autores liderado por André Hidalgo desde 1997). Comecei a Von Trapp – o Von dá uma origem nobre, um pouco debochada…”

Tradicional e inovador

Duas qualidades opostas, aparentemente. Segundo Marcelo, seu foco é o contato com as pessoas. Sua mãe tinha uma alfaiataria, ele trabalha com alfaiates e costureiras tradicionais, mas pretende trazer jovens através do Senac. A linha vermelha desfilada atende a clientes fiéis, com direito a algumas customizações. Há linhas mais democráticas, como a mais recente, dos tricôs. “Tricô quase não tem desperdício”, acrescenta, obrigando a perguntas sobre as questões ambientais. “Acho que porque sou vegetariano tenho estas preocupações, quero saber a procedência das coisas. Por exemplo, tenho três fornecedores de plissado. Com eles, meu ideal é conseguir trabalhar com um mínimo de material fóssil.” Material fóssil na moda? Claro, o atual plissado deve ser feito em tecido com poliéster, um derivado do petróleo, o dito material fóssil. “Além de evitar o poliéster, há o fator econômico. Para plissar um metro, são necessários três metros de tecido. Inviável em seda.”

Onde e quanto

Quem se apaixonou pelos modelos no puro e vibrante Vermillon francês ou ficou curiosa pelos tricôs sem desperdício pode ver de perto as coleções do Marcelo Trapp no espaço físico em Higienópolis (São Paulo) ou comprar através do Instagram @vontrapp_tm. Os preços variam de R$ 390 até R$ 10 mil.

*Jornal do Brasil

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