Olivia Torres, a Tereza de ‘tempo de amar’, mostra como combinar roupas de brechós com outras mais moderninhas

dezembro 2, 2017 15:010 comentários

Vestido usado como blusa Brechó Belchior (R$ 80); calça Amapô (R$ 450); cinto O Grito Bazar (R$ 140); sandália Cecconelo (R$ 209,99), brinco (acervo da produção) Foto: Bárbara Lopes/ Styling: Su Tonani/ Assistente: Dani Aguiar/ Beleza: Guto Moraes/ Agradecimento: Pou

Extra Online

Reciclar é palavra de ordem para Olivia Torres. Ainda mais se o assunto for moda. Se a atriz adquire uma peça nova, tira outra do armário. Promove bazares entre amigas, faz doações, estimula a circulação da energia parada. Talvez por isso seus grandes achados sejam em brechós. Nessas lojas de artigos usados e a preços camaradas, ela faz a festa.

— Eu amo brechós! Comecei a me aproximar deles por questões políticas. É que assisti a um documentário que me abriu os olhos para o quanto a indústria da moda é poluente. Muito do que se produz é rapidamente descartado. E então me empenhei em me vestir de uma maneira criativa que não prejudicasse tanto o planeta — explica a jovem de 23 anos, que propôs ela mesma a temática para o ensaio destas páginas: — Se você abrir meu guarda-roupa, 60% das coisas que tenho são de brechós. Nesses lugares, você não acha só antiguidades, tem muita peça com etiqueta ainda.

Nascida em São José do Rio Preto, interior paulista, Olivia foi criada no Rio. Lá em São Paulo e aqui, ela já montou o seu mapa do tesouro:

— Não sei onde ficam todos os brechós, porque são milhões, mas tenho os meus preferidos! Em Copacabana, há vários, que eu visito quando possível. Pelas redes sociais, também dá para acompanhar o que chega de novidade.

Se na pele da doce Tereza, de “Tempo de amar”, a atriz faz o tipo romântico, com tecidos claros e leves, fora de cena ela diz que seu estilo é misturar.

— Adoro fazer brincadeiras no visual, como pegar uma blusa retrô e combinar com calça jeans atual e uma botinha fashion. Monto looks únicos assim. Fui a São Paulo e comprei saias escocesas num brechó maravilhoso! A peça mais antiga que eu tenho também é de lá: um vestidinho muito precioso, que deve datar de 1930 ou 40.

Nem todas as preciosidades garimpadas pela atriz, no entanto, são para compor o visual. Há peças tão especiais, que acabam fazendo as vezes de objetos decorativos dentro de casa.

— Comprei um vestido aqui no Rio muito maravilhoso, que parece um bolo de festa de debutante. Eu nunca consegui usá-lo, porque é muito específico, mas quis para mim. Na parede do meu quarto, pendurei um quimono que foi da minha avó. É a coisa mais linda do mundo! Nunca usei, está impecável. De vez em quando, gosto de ficar olhando para ele… — conta.

Apaixonada por raridades, Olivia entrega já estar de olho nos figurinos de Tereza. Quando a novela acabar, não vai hesitar em pedir:

— Tem um vestido dela que eu amo, de gola alta e manga longa. Não dá para usar no calor carioca. Ele, de fato, é muito boneca, de época. Mas eu queria guardar como recordação…

Tereza é uma personagem especial para Olivia. Feminista atuante, a atriz sente na pele, em cena, a dura opressão a que a mulher era submetida, numa sociedade patriarcal dos anos 1920.

— A história de Tereza me toca profundamente. E tem um tom político, acrescenta num debate. Amo e me sinto honrada em interpretá-la — afirma a paulista, que indica a obstinação como ponto em comum com a portuguesinha: — Agora, ela está amadurecendo. É uma Tereza que entende quais são os seus direitos e respeita os seus desejos.

Semana passada, a personagem perdeu a virgindade com Fernão (Jayme Matarazzo). Os dois foram flagrados pela mãe do rapaz, Guiomar (Inez Viana), que sofreu um ataque cardíaco e morreu. Resultado: a moça se sentiu duplamente culpada. Nesta semana, eles se casam às escondidas.

— Os tabus me entristecem. Os homens faziam o que queriam sexualmente, e isso era sinal de força. Já as mulheres eram consideradas impuras. Demos muitos passos. Mesmo assim, nossos desejos continuam sendo reprimidos e nosso poder de escolha, invalidado. Tenho esperança em dias melhores — diz.

A porção militante da artista se estende à alimentação: há mais de um ano, Olivia adotou o vegetarianismo:

— Parece que sempre dou um tom radical às coisas, mas não é bem assim… Eu me libertei! Agora, tenho uma relação de paz com o alimento, não fico agoniada por ter comido bichos que sofreram ou por estar agredindo o meio ambiente. Tenho prazer em cozinhar o que como. Acabei emagrecendo e, assim, fiquei ligada a exercícios físicos. Estou amando movimentar meu corpo.

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