Agricultura influencia primeiro PIB positivo do Ceará em dois anos

Estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para 2017 apontam que, na Região Norte, o Pará vai continuar firme na liderança do Valor Bruto de Produção (VBP), índice que avalia a soma de todos os bens e serviços produzidos em determinado território econômico, num dado período de tempo. Em nove dos 26 produtos enumerados pelo documento, o Pará é o estado líder na região, mesmo naqueles em que pode apresentar alguma queda. Banana, feijão (foto), laranja, mandioca, milho, pimenta-do-reino, tomate, bovinos e frangos são os produtos que garantem a boa fase da agropecuária paraense no norte do país.

FOTO: ASCOM EMATER
DATA: 08.07.13
BRAGANÇA-PARÁ
Estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para 2017 apontam que, na Região Norte, o Pará vai continuar firme na liderança do Valor Bruto de Produção (VBP), índice que avalia a soma de todos os bens e serviços produzidos em determinado território econômico, num dado período de tempo. Em nove dos 26 produtos enumerados pelo documento, o Pará é o estado líder na região, mesmo naqueles em que pode apresentar alguma queda. Banana, feijão (foto), laranja, mandioca, milho, pimenta-do-reino, tomate, bovinos e frangos são os produtos que garantem a boa fase da agropecuária paraense no norte do país. FOTO: ASCOM EMATER DATA: 08.07.13 BRAGANÇA-PARÁ

O setor agropecuário foi a variável responsável pelo resultado favorável do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas em um estado) do Ceará no primeiro trimestre de 2017, segundo o Boletim da Conjuntura Econômica Cearense, divulgado hoje (29).

Os três primeiros meses do ano fecharam com alta de 1,87% em relação ao período de outubro, novembro e dezembro de 2016 – o primeiro PIB positivo do estado desde o quarto trimestre de 2014.

O dado foi puxado pelas primeiras chuvas da quadra invernosa do Ceará (período que vai de fevereiro a maio), que permitiram colher, por exemplo, feijão, milho e melão, e pelas atividades relacionadas ao setor, como transporte e armazenamento.

Falso positivo

Apesar de o número superar o PIB nacional (1%) no período, o coordenador da equipe de conjuntura do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Daniel Suliano, avalia que o resultado possa ser um “falso positivo” em face do mal desempenho do setor de serviços, que apresenta nove trimestres seguidos de queda, conforme dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ainda não mostra sinais de recuperação.

“Nada garante que, apesar de essa quadra chuvosa ter sido normal, ela vá ser, literalmente, a salvação da lavoura. No entanto, pelo histórico de secas, ela contribuiu de forma positiva para a atividade econômica como um todo.” Suliano diz ainda que a expectativa é de que o setor agropecuário, após o fim da quadra invernosa em maio, continue influenciando o PIB dos dois próximos trimestres.

Varejo

O varejo comum (que inclui comércios do dia a dia, como supermercados e farmácias) teve queda de 7%, mais que o dobro do registrado nacionalmente (3%). Já a indústria, apesar de ainda apresentar taxas negativas (-2,2), indica uma possibilidade de voltar a crescer em breve.

Os resultados dos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano podem ser um ponto fora do eixo que estava se formando de retomada da economia no Brasil e no estado. Segundo Nicolino Trompieri Neto, também do setor de conjuntura do Ipece, os eventos que se seguiram após a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, do grupo J&F, comprometendo o presidente Michel Temer, modificaram todas as expectativas, sobretudo no setor de comércio e serviços, que são importantes para o Ceará.

“Essa expectativa política negativa afeta o consumo, principalmente das empresas, porque a aposta é alta, mas também o consumo das famílias, que tendem a se retrair sobretudo em produtos de maior valor agregado, como carros, imóveis e eletrodomésticos”.

Reformas

As reformas trabalhista e da Previdência, que tramitam no Congresso Nacional, também afetam as projeções para os próximos trimestres na economia cearense, sobretudo no que se refere à taxa de desemprego, que demora a mostrar mudanças ao longo do ano. O Ceará perdeu 11,5 mil postos de trabalho nos primeiros três meses do ano, sendo o comércio o setor que mais eliminou vagas.

“Esse ambiente político pode barrar as reformas, o que é péssimo em termos de tendência de crescimento”, diz Trompieri Neto, que analisa que a reforma trabalhista pode gerar e tornar mais céleres mudanças positivas na dinâmica do mercado de trabalho.

AGÊNCIA BRASIL

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