Alunos ocupam colégios no Cariri cearense. Além de 60 estudantes, que estão integralmente no Colégio Polivalente, outros 140 participam das atividades diárias

09 de Maio de 2016. Alunos ocupam colÈgio polivalente em Juazeiro do Norte - REgional - 10re0801 - ANDRE COSTA

Além de apoiar o movimento dos professores, os estudantes reivindicam aumento da verba para merenda escolar; aumento dos recursos para projetos pedagógicos e culturais; e reforma nos prédios e renovação dos equipamentos ( Foto: André Costa )

Juazeiro do Norte Pelo menos 60 alunos estão ocupando a Escola de Ensino Fundamental e Médio (EEFM) Presidente Geisel Polivalente, neste Município, desde o último dia 29. A escola foi a primeira a ser tomada pelos estudantes na região. Hoje já são três unidades com a EEFM Dona Maria Amélia Bezerra e o Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) Dom Antônio Campelo de Aragão.

Segundo os grêmios estudantis, ficou acordado, durante assembleia realizada entre estudantes de outros colégios, que mais três escolas serão ocupadas ainda nesta semana: a EEFM Prefeito Antônio Conserva Feitosa e os colégios Liceu de Juazeiro e Crato, totalizando seis unidades no Cariri cearense.

O manifesto dos estudantes, entre outras pautas, é de apoio aos docentes da rede estadual de ensino, que está em greve há 20 dias. Eles também reivindicam aumento da verba para merenda escolar (atualmente de R$ 0,31 por aluno); revogação da Portaria de Lotação (PL) Nº 1169/15; aumento dos recursos para projetos pedagógicos e culturais; e reforma nos prédios e renovação dos equipamentos, dentre outras.

O presidente do Grêmio estudantil Presidente Geisel, Felipe Alves de Araújo, 15, revela que "em algumas salas, o teto está caindo em meio às aulas". O estudante critica o "sucatamento geral das escolas e do ensino" e diz que "educação de qualidade é uma direito de todos".

Mobilização

Periodicamente os estudantes realizam assembleia com a participação de membros de outros grêmios para "aumentar a adesão e fortalecer a ocupação", conforme explica Felipe.

O resultado é o crescimento do movimento. Oficialmente, até ontem, a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) já contabilizava 17 escolas ocupadas, sendo 15 delas em Fortaleza. No entanto, este número tende a crescer. "Em Juazeiro do Norte são três escolas já ocupadas e mais duas serão até quarta ou quinta. Em Crato, ocuparemos o Liceu", pontuou o presidente do grêmio.

Segundo ele, além dos 60 estudantes, com idades variando entre 14 e 17 anos, que estão integralmente no Colégio Polivalente, outros 140 participam das atividades diárias, como oficinas, palestras, roda de debate e manutenção do prédio. Em média, cada colégio ocupado conta com 50 alunos em período integral e outros 130 durante o dia.

"Não queremos alunos ociosos. Todos nós temos uma função aqui dentro. Para além disso, nossa rotina é preenchida com diversas atividades, como, por exemplo, a roda de conversas realizada no último domingo, com nossas mães", declarou Felipe Araújo.

Sobre as ocupações, a Seduc reforça que está aberta ao diálogo com professores e alunos e não impedirá o acesso dos estudantes às escolas, desde que haja respeito ao patrimônio. Em nota, destacou que, de acordo com o Código Civil, os pais são responsáveis legais por quaisquer atos de seus filhos.

Investimento

Ontem, o governador Camilo Santana (PT) anunciou um pacote de investimentos na Educação que beneficia diretores, professores e alunos da rede estadual. Ao todo, serão mais de R$ 140 mi, sendo a maior parte diretamente nas escolas para reformas e manutenção, alimentação dos estudantes, laboratórios de informática e aumento da carga horária para ambientes pedagógicos, contemplando algumas das reivindicações. Além disso, foi reafirmado o compromisso com outras demandas já garantidas para a categoria dos professores.

Para reformas nas escolas estaduais, estão garantidos recursos no valor de R$ 32 mi, e para manutenção de cada unidade, será criado um fundo de R$ 5 mi ao ano para dar agilidade e facilitar os reparos necessários no dia a dia. Sobre a alimentação escolar, além do valor já investido atualmente, a Seduc fará a aquisição e distribuição de arroz, feijão, macarrão, massa de milho e açúcar de forma imediata, o que representa um investimento de R$ 6,4 milhões ao ano.

Diário do Nordeste

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