APA Araripe completa 20 anos e realiza II Seminário de Pesquisa

A Universidade Regional do Cariri (URCA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) abriram, na manhã desta quarta-feira, o II Seminário de Pesquisa da Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe (APA – Araripe), no Salão de Atos da Instituição. O evento acontece até o próximo dia 4 de julho, e contará com a presença de pesquisadores, técnicos e ambientalistas de vários estados brasileiros e estudiosos da Região, além de estudantes da Universidade.

Autoridades municipais, regionais e os principais articuladores para a criação da APA estiveram presentes na abertura, com homenagens para o professor da URCA e ex-chefe do ICMbio, Jackson Antero, o ex-diretor de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Campelo, funcionário do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o presidente da Fundação Araripe Pierre Gervaiseau, um dos grandes articuladores e criadores da APA Araripe.

O Reitor da URCA, Professor Patrício Melo, destacou que a APA é uma unidade de conservação federal, de uso sustentável, o que faz com que o acesso ao uso dos recursos naturais para o processo de desenvolvimento seja permitido. “A lógica da sua existência é produzir desenvolvimento humano e sustentável”, explica

Sustentabilidade

Dentro do contexto de sustentabilidade, conforme o reitor, existem áreas de conservação e preservação, com espaços para proteção exclusiva, destinados à pesquisa e desenvolvimento econômico sustentável, com uso dos recursos naturais não madeireiros. “A URCA tem a honra de ter sido a proponente dessa unidade, elaborando os primeiros estudos para a proposição, no reitorado da Professora Violeta Arraes”, disse o reitor, ao acrescentar que na sequência veio a adesão dos governos estaduais do Ceará, Piauí e Pernambuco.

O que representou, segundo Patrício Melo, um exercício político muito forte que a universidade empreendeu naquele momento, além de estudo técnico, com equipe da URCA, Fundetec e a Fundação Araripe, que tem à frente o dr. Pierre Gervaiseau. Ele, um dos principais teóricos do planejamento territorial integrado e do próprio conceito de desenvolvimento regional.

Para o Reitor, ao longo de duas décadas a APA tem cumprido o seu papel. Os temores de que a unidade freasse o processo de desenvolvimento não se confirmaram, e o território do Araripe se desenvolveu. Do lado do Ceará, particularmente, mais de que todas as regiões do Ceará, sendo a segunda, perdendo apenas para a região metropolitana de Fortaleza. A identidade local fez diferença no processo de desenvolvimento. “Isso representa um protagonismo significativo”, ressalta o Reitor, ao citar a criação do Geopark Araripe, que consolida a estratégia de educação, conservação e promoção do desenvolvimento regional associada ao turismo.

O chefe da APA Araripe – ICMbio, Paulo Meier, destaca a URCA como a responsável não apenas pela criação, mas pelas possibilidades de se estar tentando construir na região todo um processo, para fazer com que a área seja melhor compreendida. Ele afirma que o modelo de unidade de conservação trazido para o Brasil é francês e a primeira característica dele é possibilitar a permanência das pessoas, com a finalidade de desenvolver um espaço de sustentabilidade. “Esse evento traz um grande conjunto de parceiros, junto com a APA da Chapada do Araripe, juntamente com a universidade”, diz. A maior parte da equipe que integra a comissão de pesquisa é da Universidade Regional do Cariri.

Paulo Meier ressalta a presença de nomes importantes que estiveram presentes durante a abertura dos trabalhos e diz que, nesses 20 anos, está sendo realizado um seminário de pesquisa, e sendo celebrada a data. Em 20 anos, ele salienta uma série de ganhos, com 20 unidades de conservação na região, e parte desse esforço vem desde a criação da APA. O Governo do Estado está estudando a criação de outra unidade de conservação.

Um dos homenageados, Francisco Campelo, destacou o protagonismo e a importância emblemática de ter uma APA, no campo do desenvolvimento sustentável. Ele disse que a área de proteção vem para mostrar a condição de conservar as florestas. Segundo estudo das Nações Unidas, o uso não madeireiro das florestas está mais presente na caatinga do que na Amazônia, e começou no Araripe, com os trabalhos desenvolvidos com o pequi e babaçu, conforme Campelo.

Programação

A mesa de debates durante a abertura do evento, destacou a temática Unidades de Conservação como Espaços de Pesquisa, com a articipaçãoimages/stories/apa araripe 1.jpg dos conferencistas Ana Elisa de Faria Bacellar Schittini (ICMBio), Daniel Duarte Pereira (INSA), Allysson Pontes Pinheiro (URCA), Sebastião Cavalcante (UFCA). Os trabalhos contaram com mediação do chefe do ICMbio – APA Araripe, Paulo Maier. Na parte da tarde foram realizadas apresentações orais e minicursos, além de exposição de pôsteres, no pátio do curso de Pedagogia, além da feira Cariri Criativo.

Nos dias 3 e 4 serão realizadas as mesas redondas com as temáticas sobre a Ocupação da chapada do Araripe e impactos ambientais; Panorama da pesquisa em Unidade de Conservação e estratégias para conservação; Pesquisa e conservação de fauna na chapada do Araripe, com ênfase para espécies ameaçadas de extinção e Recuperação de áreas degradadas, além da palestra Etnobiologia e as populações invisíveis, com Paulo Maier, fechando o ciclo de debates com conferencistas sobre Produção e uso sustentável da floresta.

Site da URCA

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