Debates sobre a “santidade” da beata e os termos “reabilitação” e “reconciliação” no simpósio de Padre Cícero

01 Mesa desta manha de terca

A primeira manhã de debates no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: “Reconciliação… e agora?” partiu da Mesa Redonda sob o tema: “Reconciliação: Padre Cícero e a política eclesiástica”. O palestrante foi o padre Geraldo Luiz Borges Hackmann da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul tendo como debatedores a psicóloga Maria do Carmo Pagan Forti e o professor da Urca, José Rubens Pereira da Costa.

O sacerdote pontuou que as informações chegadas ao Vaticano sobre os fenômenos em Juazeiro não correspondiam à realidade e defendeu novos e específicos estudos em torno da reabilitação do Padre Cícero citando, por exemplo, o tipo de influência do Padre Ibiapina na sua formação teológica durante o tempo do seminário. Entretanto, considerou a reconciliação algo muito profundo. Sobre a transformação da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo, a psicóloga Maria do Carmo se referiu às comissões de inquérito designadas pelo bispo do Ceará, dom Joaquim Vieira.

Segundo ela, os documentos entregues por dom Fernando Panico no Vaticano são os bastidores de toda a fala do bispo dom Joaquim. Citou um deles em resposta a um cardeal no qual frisa: “nem tudo relatado aí sobre essa doentia moça de Juazeiro é verdadeiro”. Noutras correspondências, diz que o Padre Antero – integrante da comissão – faltou com a verdade e que os padres se deixaram mistificar diante de um Padre Cícero “inescrupuloso”.

Mais à frente, Maria do Carmo comentou que “não existe o Padre Cícero sem a beata e nem a beata sem o Padre Cícero e nem os dois sem os romeiros”. Conforme esclareceu, a petição de dom Fernando tinha que citar os fenômenos, mas não solicitou o julgamento destes. Já o debatedor Rubens Pereira da Costa discorreu sobre as considerações em torno desses fenômenos em Juazeiro e chamou a atenção para o prestígio de Padre Cícero como um santo. Todavia, admoestou que a reconciliação da Igreja com o Padre Cícero poderia significar igualmente com a beata Maria de Araújo.

Neste sentido, a irmã Annette Dumoulin defendeu que fosse feita justiça à beata observando que houve todo um “jogo sujo” do bispo dom Joaquim para com a religiosa e que a Igreja jamais se pronunciou sobre o milagre eucarístico. Já o professor da Urca, Tiago Landim, classificou Maria de Araújo como a santificadora de Padre Cícero e questionou os termos reabilitação e reconciliação. Dentro da mesma concepção, a socióloga Ana Cristina observou que sempre se falou de Padre Cícero e jamais da beata.

Enquanto isso, o professor de Antropologia da UFC, Antonio Jorge, fez uma provocação questionando se tem importância para os romeiros o significado entre reconciliação e reabilitação. Já o professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Steil, considerou que o julgamento anterior sofreu um vício de origem, enquanto a participante, Edna Romeiro, argumentou que o Padre Cícero foi injustiçado pela Igreja que se viu na obrigação de lhe pedir perdão.

No final da manhã houve ainda o primeiro Testemunho à “Sombra do Pé de Juá” sob o tema “Conversas de Padre Cícero com o Beato José Lourenço” a cargo da professora e secretária de educação de Juazeiro, Maria Lourêto de Lima, na mesa presidida pelo professor José Carlos dos Santos. No período da tarde, Grupos de trabalho e rodas de conversas sob os temas: “Observatório das Religiões” com Ercília Braga de Olinda (UFC) e Paula Cordeiro (URCA); “Cinema e pesquisa em Juazeiro” com o cineasta Rosemberg Cariry; e “Protagonismo do romeiro e pastoral” com a Irmã Annette Dumoulin.

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