Em vídeo, diretor da Prevent diz: ‘pessoas precisam se contaminar’

Diretor da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, na CPI da Covid JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO - 22.09.2021

Segundos antes ele havia dito que jamais defendeu a ‘imunidade de rebanho natural’, refutada pela comunidade científica

O diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, se contradisse durante depoimento nesta quarta-feira (22) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. Segundos depois de dizer que nunca defendeu a chamada ‘imunidade de rebanho natural’, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) mostrou um vídeo feito em junho do ano passado no qual o médico disse que “as pessoas precisam se contaminar” com a Covid-19.

A imunidade de rebanho é a tese de que quanto mais pessoas se contaminarem com a Covid-19, melhor, porque haveria o desenvolvimento de uma imunidade natural. A questão é refutada pela ciência, por deixar um grande número de mortes, além do fato de uma pessoa poder se contaminar com o vírus e desenvolver a doença mais de uma vez.

“O senhor, em algum momento, defendeu a imunidade de rebanho?”, questionou Randolfe. Ao que Benedito Batista respondeu: “De modo algum. A imunidade de rebanho poderia acontecer, mas nós não sabemos quando ela pode acontecer e se aconteceria. O que sabemos é que pode ter uma evolução natural da doença. Mas o que se mostrou no avanço natural da doença é que ela se mantinha grave com ondas claras de gravidade”.

No vídeo, entretanto, do dia 2 de junho do ano passado, ele disse: “Se essa quinta-feira vier realmente com nível de óbito menor que apareceu no país e continuarmos aí com aumento do número de casos, a gente tem um bom indício, porque estão tendo mais pessoas contaminadas. Isso é bom, isso não pode ter uma conotação negativa, porque se a gente está falando que a população precisa ficar imunizada, as pessoas precisam se contaminar. E quem tá contaminado e teve poucos sintomas e já está bem, significa que está imunizado neste momento”.

Questionado novamente, o médico justificou que havia apenas três meses de pandemia naquela ocasião, e que posteriormente não mais defendeu a ideia defendida no vídeo.

Isso é bom, isso não pode ter uma conotação negativa, porque se a gente está falando que a população precisa ficar imunizada, as pessoas precisam se contaminar. E quem tá contaminado e teve poucos sintomas e já está bem, significa que está imunizado neste momento 

 PEDRO BENEDITO BATISTA JÚNIOR, DIRETOR-EXECUTIVO DA PREVENT SENIOR

Mais cedo, em seu depoimento, o diretor-executivo acusou ex-funcionários de furtar e adulterar dados de pacientes da operadora para “fabricar” denúncias contra a empresa. A empresa é alvo de uma denúncia encaminhada à CPI por médicos que trabalharam na operadora durante o período mais agudo da pandemia. Segundo uma das acusações levadas pelos profissionais à comissão, a rede teria limitado o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) no atendimento dos clientes, chegando a proibir o uso de máscaras em algumas situações.

A denúncia foi enviada à CPI em 24 de setembro por uma advogada do grupo de 12 médicos. O R7 teve acesso a uma análise do documento, que aponta ainda que o protocolo de testes adotado pela Prevent Senior teria sido acordado com assessores do governo federal. Conforme denunciado, a pesquisa supostamente pactuada entre o governo e a Prevent precisaria comprovar a eficácia de cloroquina e azitromicina no tratamento da covid.

*Conteúdo “R7”

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