“Eu não sou uma mulher fraca”, diz Dilma ao ‘The Guardian’

Em entrevista ao jornal The Guardian desta quinta-feira (24), a presidente Dilma Rousseff disse que qualquer tentativa de retirá-la do seu cargo seria ilegal e prejudicial para o país.

Segundo a reportagem, Dilma Rousseff reitera, com a fala firme e um tom corajoso, que não há justificativa legal para o impeachment e adverte que qualquer tentativa de removê-la do poder ilegalmente pode deixar cicatrizes profundas na democracia brasileira.

Em uma entrevista de 90 minutos com seis veículos da imprensa estrangeira, realizada no Palácio do Planalto, Dilma afirmou que "a paz voltará a reinar" no Brasil até o início dos Jogos Olímpicos deste ano, que acontecerá no Rio de Janeiro, em agosto.

Ao longo das últimas semanas, o Brasil tem sido abalado por enormes protestos contra o governo, após revelações sobre corrupção que envolvem não apenas o Poder Executivo, embora Dilma não seja citada em nenhuma denúncia, mas também o Congresso Nacional, o que acabou impulsionando o processo de impeachment da presidente, iniciado em dezembro.

O jornal comenta que a tentativa de nomear o ex-presidente Lula como ministro da CasaCivil, ato considerado por muitos como uma medida de proteção ao líder petista, aumentou a indignação de parte da sociedade em relação à impunidade dos políticos e levou setores da população a pedir a renúncia de Rousseff.

 

"Por que eles querem que eu renuncie? Porque eu sou uma mulher fraca? Eu não sou", disse ela, argumentando que seus rivais políticos queriam que ela se retirasse "para evitar a dificuldade de remover indevidamente, ilegalmente e criminalmente uma presidente legitimamente eleita pelo povo".

O processo de impeachment que está atualmente no Congresso acusa Rousseff de usar manobras contábeis ilegais para equilibrar os orçamentos do seu governo, mas ela contra-argumenta que a base jurídica para a acusação é extremamente fraca.

Rousseff observou que todos os presidentes desde a época de Getúlio Vargas (que governou de 1930 a 1945) vivenciaram processos de impeachment contra eles. Ela também observou que o homem que iniciou o caso contra ela, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está sendo acusado de corrupção.

Na opinião da presidente, a oposição não aceitou sua derrota estreita na eleição de 2014 e, desde então, tem desenvolvido uma estratégia de "quanto pior, melhor", sabotando sua agenda e afundando o país.

Quanto às manifestações, Rousseff ressaltou que é a favor de protestos de rua, porque veio de "uma geração em que se abrisse a boca, poderia ir para a cadeia".

Mas ela ressaltou que aqueles que tomaram as ruas contra seu governo representam menos de 2% de toda a população do Brasil, e criticou os "métodos fascistas" utilizados por alguns dos seus adversários.

"Nós nunca vimos tal intolerância no Brasil", disse ela. "Nós não somos um povo intolerante", complementou a presidente.

Rousseff acredita que qualquer tentativa de removê-la do poder sem justificação legal representaria um golpe. "Eu não estou comparando o golpe atual com os golpes militares do passado, mas seria sim uma quebra da ordem democrática do Brasil".

Perguntado pelo Guardian sobre a sua decisão de nomear Lula, Rousseff disse que não estava arrependida. "Lula não é apenas um bom articulador, ele também compreende todos os problemas do Brasil", disse ela, insistindo que a ideia de que ele foi nomeado para evitar sua saída não faz sentido.

"Um ministro do gabinete não está imune a investigações, ele enfrenta investigação por parte da Suprema Corte", disse ela. "A Suprema Corte não é boa o suficiente para investigar Lula?", indagou.

Calma e aparentemente animada durante toda a entrevista, a única vez que Rousseff expressou irritação foi quando ela lembrou a decisão do juiz Sergio Moro em liberar para a mídia as gravações telefônicas interceptadas no telefone. "Violar a privacidade quebra a democracia, porque quebra o direito de cada cidadão a uma vida privada", disse ela.

 

 

 

 

Jornal do Brasil

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