Faltam leitos na Zona Norte do Ceará e paciente morre na porta de hospital

100% dos leitos UTI para Covid-19 na Região Norte estão ocupados. Sem ter para onde transferir, UPAs e hospitais locais mantêm pacientes graves e com demandas de alta complexidade(Foto: Barbara Moira)

Sem nenhum leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponível, o sistema de saúde na região Norte do Ceará está esgotado. Municípios não conseguem transferir pacientes e já houve registros de mortes na fila de espera. Os leitos de UTI estão com ocupação de 100%. Conforme o IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), todos os 126 leitos ativos para Covid-19 estão preenchidos. No caso das enfermarias, a ocupação é de 77,53%. Com a falta de leitos de alta complexidade, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais locais mantêm pacientes de complexidade maior do que o município consegue ofertar porque não têm para onde encaminhar.

Na semana passada, uma paciente deu entrada no Hospital de Santa Quitéria, foi entubada e encaminhada em vaga zero para o Hospital Regional Norte. “Quando chegou lá, não tinha leito, não tinha ponto de oxigênio. E ficou na UTI móvel por 2h30min e veio a falecer na frente do Hospital Regional Norte”, afirma Adeilton Mendonça, secretário da Saúde de Santa Quitéria.

Na última quarta-feira, 10, uma moradora do município de Reriutaba morreu no Hospital Municipal Rita do Vale Rego enquanto esperava uma vaga de leito de UTI. “A paciente encontrava-se inserida no sistema aguardando regulação/vaga, infelizmente, não houve libertação a tempo”, informou a prefeitura do município.

Com a falta de leitos, profissionais usam alternativas extremas, como enviar pacientes em vaga zero, o que ocorre quando encaminham pacientes de alto risco a unidades hospitalares mesmo sem a disponibilidade de vaga no hospital de destino. Algumas unidades tem admitido pacientes extra-leito. Isso ocorre quando a pessoa dá entrada em estado grave, utilizando drogas de UTIs, com suporte ventilatório mas não está em uma UTI pois não há leito disponível.

Conforme Regina Carvalho, secretária da Saúde de Sobral, a macrorregião Norte registrava, até o início da tarde desta sexta-feira, 12, 60 pacientes aguardando leitos de enfermaria e 25 aguardando leitos de UTI para transferência para Sobral. “Hoje, O HRN está com 5 pacientes extra leitos e o Hospital de Campanha Dr. Alves está com 2”, afirma.

Segundo a secretária, a demanda de pacientes em filas de espera é muito alta e as UPAs estão com o limite já exaurido. “Estamos na luta para ver se conseguimos ampliar os leitos na próxima semana”, projeta. No Hospital de Campanha, 10 leitos de enfermaria devem ser transformados em UTIs. Serão 10 leitos de UTI na Santa Casa e 32 leitos de UTI e 60 leitos de enfermaria no Hospital Regional Norte, segundo a proposta de ampliação do Governo do Estado.

Em Fortaleza, a situação também é grave. A Capital tem dez hospitais com UTIs lotadas e, conforme Ana Estela Leite, secretária da Saúde de Fortaleza, pode esgotar leitos “a qualquer momento”. De acordo com monitoramento divulgado no IntegraSUS, Fortaleza tem 93,02% dos seus leitos de UTI ocupados.

* Conteúdo “O Povo online

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