Fósseis: Quando cientistas colaboram com o tráfico

CARIRI,CE,BRASIL,22.06.2017: Álamo Feitosa Saraiva,56, paleontólogo da URCA, observa os fósseis da pedra cariri. Situado a 3km do centro de Nova Olinda, às margens da rodovia de acesso ao Município de Santana do Cariri, o geossítio Pedra Cariri apresenta elevado valor científico, devido à ocorrência de fósseis diversos e abundantes, como insetos, pterossauros, peixes e vegetais. TRata-se de um calcário disposto em finas camadas de sedimentos pertencentes ao membro Crato (Formação Santana), depositados há aproximadamente 112 milhões de anos (Período Cretáceo). (fotos: Tatiana Fortes/O POVO)

O tráfico de fósseis, hoje no ceará, tem outra configuração. Segundo o professor álamo Saraiva, da URCA, alguns cientistas fazem “escambo” de peças para pesquisas

O Povo Foto: Tatiane Fontes

Alguns paleontólogos do Brasil e de universidades internacionais ainda não compreenderam ou não querem reconhecer a importância do Geopark Araripe para a pesquisa e desenvolvimento sustentável da região do Cariri. A crítica é do professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, 56, coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca). Se tivessem noção, observa o também biólogo, muitos cientistas não estimulariam o tráfico de fósseis da Bacia do Araripe, no Ceará. De acordo com Álamo Saraiva, pesquisadores de uma universidade carioca, aproveitando-se da miséria em Santana do Cariri e Nova Olinda, trocam “roupas, cestas básicas e brinquedos” por fósseis raros. Confira, a seguir, uma conversa com o pesquisador.

O POVO – Centena de fósseis da Bacia do Araripe estão em universidades e museus fora do Ceará e do Brasil. Deveriam estar em instituições de pesquisa no Cariri, como Universidade Regional do Cariri e Museu de Paleontologia de Santana do Cariri?

Professor Álamo Saraiva -Sim. É de 1800 a primeira citação sobre a retirada de fósseis daqui. João da Silva Feijó, em uma carta ao rei de Portugal, fala dos fósseis magníficos que existiam aqui. E ele escreve que enviou duas remessas, talvez duas cargas de burro. Esses fósseis, hoje, estão depositados na Universidade de Évora. Em 1841, Louis Agassiz se imortalizou com um achado, da época, que mudou uma regra na paleontologia mundial. Ele mostrou que os fósseis daqui tinha o tecido mole preservado.

OP – O que isso significou?

Professor Álamo – Ela achou fósseis do Cariri com brânquias, músculos, olhos com tecido mole. Antes dessa descoberta, a regra geral era de que partes moles não se petrificavam. E o material daqui dizia o contrário, foi uma descoberta fantástica. Aqui ainda não tinha descrição geológica para a Ciência, só dizia que era da terra dos (índios) Kariris. Os fósseis daqui eram completos com conteúdo estomacal, brânquias, olhos e músculos preservados. Depois, houve a Expedição da Comissão Científica do Império (No Segundo Império em 1859-1861) – comandada pelo Barão de Capanema. Eles levaram fósseis daqui que hoje estão no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Com a criação do Departamento Nacional Mineral, várias expedições foram feitas nos anos 40, 50, 60 e 70, e se levou material daqui. Então se criou uma cultura entre os pesquisadores que o material daqui, fabuloso e conhecido no mundo, passou a ser objeto de cobiça dos pesquisadores da paleontologia. Todo mundo queria entrar para a história descrevendo material daqui.

OP – Mas há uma diferença entre querer levar para pesquisar e a pilhagem científica?

Professor Álamo – Existem duas situações. A primeira é o pesquisador que publica alguma coisa e é sempre um impacto publicar sobre o material do Araripe. Terá sempre divulgação especial da mídia. E desperta no leigo, em muitos aficionados pela paleontologia, querer ter coleções de fósseis daqui. Qual a consequência disso? Nos anos 60, 70, 80 e 90 (do século passado), isso aqui virou uma terra de exploração clandestina de fósseis. Contêineres e contêineres de fósseis saíram daqui. Conversando com um “peixeiro” antigo, que são esses exploradores de pedras de fósseis de peixes e outros achados paleontológicos da Bacia do Araripe, ele me dizia que saiam carradas de caminhões para Fortaleza e São Paulo.

OP – Tráfico?

Professor Álamo – Sim, já era tráfico pesado. Não mais de peças para serem descritas (para pesquisa), mas peças para serem vendidas em mercados, feiras livres. Era uma coisa de suvenir. E o tráfico científico era daquelas pessoas que vinham aqui e encomendavam fósseis aos peixeiros, isso desde 1960. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Museu Nacional (RJ), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e da Federal de Pernambuco (UFPE) encomendavam fósseis, abertamente, aos peixeiros. Passaram a dizer o que queriam. Não queriam fósseis de piaba, de tubarão, de sardinhas, “não quero tucunaré”, “não quero corvina”. Então os pesquisadores diziam: “Só quero bicho que for novidade, planta que for novidade”.

OP – Os cientistas passaram a fazer um cardápio de fósseis raros do “mar” do Araripe?
&nsbp;

Professor Álamo – Sim. Por exemplo, o vinctifer comptoni, quando você vai a campo na Formação Romualdo (camada da terra com determinados tipos de fósseis), cada enxadada que você dá, tira um vinctifer. No popular, é o peixe que se chama de bicuda. Do período Cretáceo, com cerca de 110 milhões de anos. E é muito abundante. Os cientistas pediam osso e peixes diferentes. Quando aparecia alguma novidade, o peixeiro guardava para quando o cientista viesse. E para o traficante comum do comércio de fósseis, os peixeiros vendiam os comuns. Havia peixe raro que o valor de mercado correspondia a uma carrada todinha de peixes frequentes. Esse tráfico foi muito forte até 2002, 2003… quando tive uma discussão séria com o professor David Martill, pesquisador da Universidade de Portsmouth (Inglaterra), que defendia abertamente o tráfico de fósseis do Cariri. Um inglês que tem várias publicações com os bichos daqui.

OP – Defendia o tráfico?

Professor Álamo – Abertamente. E a desculpa que ele dava nos simpósios, nas reuniões científicas, em congressos e artigos de revistas científicas é que o Brasil não tinha nem dinheiro para dar comida às suas crianças, como, então, se preocupar com fósseis? E ele dizia que a Inglaterra, como berço da cultura ocidental, tem museus que são visitados por todas as pessoas do mundo. E quando um pesquisador brasileiro quisesse ver os fósseis daqui, fosse para Portsmouth. Ele tem muitos trabalhos e livros sobre espécies daqui. Tudo na base da pilhagem. E ainda dizia que o mundo era desigual. Num dos artigos, ele fala muito mal das autoridades aduaneiras do Brasil. Dizendo que comprava as autoridades. No artigo, que está em inglês, ele até escreve: “C´ést lá vie” (É a vida).

OP – E como a Universidade Regional do Cariri se posicionou em relação a isso?

Professor Álamo – Bom, eu e um grupo de colegas fizemos reuniões e começamos a ensaiar a criação do Geopark Araripe. Discussões de como preservar isso aqui e que a Unesco teria de estar envolvida. Em 1999, fizemos o 16º Congresso de Paleontologia da Bacia do Araripe. Foi, indiscutivelmente, um marco. Aproveitamos para pegar todos os cientistas e mostrar a necessidade de termos um museu de fósseis e pesquisadores para a paleontologia. Que esse material deveria ficar aqui, porque era um mote de desenvolvimento sustentável da região. Muitos pesquisadores, como o Alexander Kellner (UFRJ), Sérgio Alex Azevedo (UERJ), Virgínio Noima (UFPE), Somália Viana (UFPE), compraram a ideia e foram protagonistas. Ficou acertado que eles trabalhariam na Bacia do Araripe, mas depositariam os achados e o resultado das pesquisas na Urca.

OP – Mas isso aconteceu na prática? O Alexander Kellner, por exemplo, descreveu fósseis daqui. Eles estão no Museu de Santana do Cariri? Um deles leva o nome do professor e ex-reitor da Urca, Plácido Nuvens.

Professor Álamo – Isso foi tombado e está lá (na UFRJ). O Santana Raptus Placidus é uma publicação de 1999. E outras espécies que ele descreveu daqui ou foi material tombado do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que já estava no Rio de Janeiro, ou que estava no Museu Nacional no Rio. Inclusive, ele teve o cuidado de mandar a lista de material que estava tombado lá. Existe um compromisso desses pesquisadores, sobretudo do Museu Nacional, de não pegar material daqui sem o aval da Urca.

OP – O Museu Nacional está cumprindo a regra. E a UFRJ?

Professor Álamo – A UFRJ tem um trabalho aqui, na região, extremamente danoso à paleontologia local. Por diversas vezes tentamos conversar com um professor, paleontólogo que toca o projeto. Um professor que tem publicações boas. Contudo, a cada seis meses, ele vem com um grupo de alunos que trazem roupas, cestas básicas, brinquedos para crianças e fazem um escambo de fósseis para a UFRJ.

OP – Troca miséria por fósseis?

Professor Álamo – É. Nos locais de exploração de pedra do calcário laminado (nas pedreiras que extraem pedra cariri). Eu já pedi diversas vezes, inclusive quando publicaram o trabalho da Crato avis (foto) – a primeira ave completa descrita da Bacia do Araripe. Esse fóssil, insistentemente, pedi que fosse depositado no Museu de Santana do Cariri. Pedi via Urca, oficialmente, verbalmente e em reuniões científicas. Para minha surpresa, ele usa o mesmo discurso que os ingleses usavam. Que nós não temos condições nem capacidade de ter esses fósseis aqui, que nosso museu não tem o aparato necessário para guardar esse material.

OP – E não tem, professor?

Professor Álamo – Claro que tem. Nós temos gavetas apropriadas, temos reserva técnica eficiente, temos dois paleontólogos no Museu. Temos paleontólogos de renome mundial que estão vindo para cá como professor DCR, que é uma modalidade de convênio que traz um professor bolsista por dois anos para a Urca e é pago pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Técnico (Funcap). É professor Renan Bantim, que trabalha com pterossauros e um professor que está vindo da China. Eu coordeno o Laboratório de Paleontologia da Urca e dou aula com a professora Flaviana Lima, que é paleobotânica e doutoranda. Temos uma equipe, temos alunos de doutorado, de mestrado, de iniciação científica, estagiários e um grupo de pesquisa cadastrado no CNPq. A máxima de que não temos gente capacitada e aparato para os fósseis, me desculpe, é discurso de inglês. É ultrapassado.

OP – O senhor tem quantos artigos científicos publicados?

Professor Álamo – Pouco mais de 50 artigos e pouco mais de uma dezena de espécies descritas da Bacia do Araripe.

OP – Isso significa o quê no mundo científico?

Professor Álamo – É uma produção de peso. Não é a maior produção do Brasil, caso do Alexander Kellner que está próximo de 200 artigos. Mas quem está no Museu Nacional não dá aula e só pesquisa. Em geral, os pesquisadores da minha faixa de idade, mais de 50 anos, a maioria não passa de 30 artigos. Significa dizer que nós estamos, pelo menos, entre as três maiores produções científicas do Nordeste. Com o Laboratório de Paleontologia e o Museu, estamos entre as dez do Brasil.

OP – A defesa da permanência dos fósseis aqui vai além da posse e da briga de egos entre universidades e entre acadêmicos?

Professor Álamo – Aqui, além do cunho científico, o fóssil tem a função educativa. Cria uma identidade regional e, principalmente, alavanca turismo. A criação do Geopark Araripe (2006) tem como mote principal o fóssil. Significa dizer que é o único projeto do Brasil de desenvolvimento sustentável em torno do fóssil é na Bacia do Araripe. Por isso que esse material tem de estar aqui, não pode estar em gavetas na USP e UFRJ sendo apenas arquivo ou material para comparação científica. O fóssil, aqui, deixa dividendos e tira pessoas da miséria. Ele bota pessoas, que antes eram peixeiros, no artesanato. Transforma em guia turístico, por exemplo.

OP – Tem algum peixeiro que ficou rico com o tráfico?

Professor Álamo – Infelizmente, que eu conheça, não. Infelizmente ou felizmente, fico nessa dúvida. Porque hoje eu conheço a maioria deles e todos são alcoólatras. Porque são saudosistas e sofrem com aquela síndrome do garimpeiro. Viviam avidamente a procurar aquela peça inusitada, quando encontravam tentavam vender. Vendiam a peça e saiam a comemorar porque achavam que haviam ficado rico. Tem uma história de um peixeiro, Zé Cidrão, lá de Santana do Cariri. Ele me disse o seguinte: “Doutor, eu quase não acreditei quando achei aquela peça, aqueles ossos e a cabeça daquele bicho (um pterossauro). Então, fui pra rua, sai contando a novidade. Era dinheiro que eu ia fazer minha casinha”. Perguntei quanto era. Ele disse que era mais ou menos “uns 15 mil contos”. Depois de receber o dinheiro, ele foi comemorar no Crato. Cinco dias depois, ele estava liso e a pé para voltar pra casa, em Santana. “Gastei tudo na cachaça e na rapariga”. E assim, essa história aconteceu com pelo menos uns 30 peixeiros da Região.

OP – Mas traficantes internacionais, como o alemão Michel Schwickert Lotar, “lucraram”.

Professor Álamo – Sim. Hoje em dia, como está muito difícil pra ele no Araripe, eu tive notícias que vende fósseis do Marrocos pela Internet. Ele levou muita coisa daqui. Meu Deus do céu! Quantas espécies de insetos, plantas, peixes, dinossauros, pterossauros, tartarugas, de crocodilos… Levou coisa muito boa. Primeiro, ele é geólogo. É preparador de fósseis e sabia o que interessava, realmente, no mercado internacional. Para mim, ele é o melhor preparador de fósseis (que tem habilidade na extração e lapidação da pedra) que eu conheci. Deixava todas as estruturas visíveis. Europa e EUA eram os destinos dos negócios dele. Museus de Stuttgart, Colônia, Museu de História Natural de Nova York.

OP – Michel Schwickert foi preso quantas vezes no Brasil?

Professor Álamo – Duas vezes. Tive contato com ele uma vez, no aeroporto de Juazeiro do Norte, quando a Polícia Federal me chamou para identificar o que ele estava transportando. Saber se era fóssil. Eram fósseis disfarçados de artesanato, suvenir. Ele conseguiu se safar, mas, pouco tempo depois, foi preso. Participei também de uma reunião que Michel Schwickert pediu com a professora Violeta Arrais, quando era reitora da Urca. Ele disse, na época, que tinha dois milhões de dólares para colocar na Universidade. A condição era a Urca autorizá-lo a preparar os fósseis da Região. Ele estava pedindo um aval da Urca para traficar abertamente. Claro que a professora Violeta disse não.

OP – Quais ações foram tomadas contra o tráfico de fósseis?

Professor Álamo – Houve um treinamento com a Polícia Federal e Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para os agentes saberem identificar os fósseis no scanner do aeroporto. Isso coibiu muito o tráfico de fósseis. Há também uma ação do Geopark Araripe nas escolas, chamado Geopark no Recreio. Com o teatro de bonecos, levamos a história dos fósseis para os alunos. Eu pensava que essa ação não tivesse muito resultado, mas uma vez cheguei em Nova Olinda e passei num peixeiro antigo e perguntei se ele havia achado alguma novidade. Ele disse que não queria mais saber desse negócio de ‘pedra’. Estava ruim na casa dele. Já havia sido preso várias vezes e perguntei se teria sido pegue outra vez pela polícia. Não era isso, revelou que “os meninos lá em casa não deixam mais eu entrar com pedra em casa”. Os filhos vinham com sermão contra o tráfico de fósseis. Fiquei admirado, os filhos estavam educando os pais. Então, provavelmente, o Geopark no Recreio estava funcionando. Antes, fazíamos reuniões com procuradores da República, chamava os peixeiros e a maioria nem ia. A conversa da reunião entrava por um ouvido e saia por outro. Realmente, para essa geração que vivia disso, gostava e era viciada no garimpo, não adiantava o discurso. É uma geração quase irrecuperável, mas os filhos deles estavam botando uma pressão neles.

OP – Em que pé está a briga judicial contra a USP?

Professor Álamo – Foi feita uma apreensão grande de fósseis em São Paulo, em 2013, e foram presos um francês e um alemão por tráfico internacional de fósseis. Foram 1992 peças, uma nata de material. Então foi aberto um inquérito e o juiz mandou que esse material ficasse com a USP. Eu fiz uma exposição de motivos, um relatório de 36 páginas. Pedi que esse material viesse pra cá, por aqui ele servia também para o desenvolvimento sustentável da Região. O juiz deu ganho de causa para a Urca e quando comunicamos para a USP que estávamos indo pegar o material, uma liminar decidiu manter o material lá. A USP alegou que havia gastado muito com os fósseis e tinha de ficar lá. Ora, eu digo sempre, ninguém bota água, comida para um fóssil. Ele não vive na jaula. Depois de preparado, e o material estava preparado pelo Michel Schwickert, não tinha muito com o que se gastar ali. A USP não gastou nada com os fósseis. Recorremos da decisão e estamos aguardando. A USP, não sei por que, não nos reconhece como local com condição de estudar e salvaguardar o patrimônio fossilífero do Cariri. Repito, quem quiser vir estudar material do Araripe, a USP, a UFRJ, Museu Nacional e todas as universidades que trabalham com pesquisa envolvendo fóssil no Brasil, venham estudar o Araripe. Mas deixem o material depositado aqui. O material aqui nos traz dividendos. Pesquisa, turismo sustentável e científico. Temos o Museu com 25 mil visitações por ano. No ano passado, está no livro de registro, 18 países visitaram o acervo que está em Santana do Cariri, uma cidade de8 mil habitantes. Isso é significativo, o museu tem quase 9 mil peças fósseis. Se a gente guardou até hoje o que se tem lá, porque não guardaríamos mais? Temos espaço para fazer isso.

OP – Então, o “tráfico científico” de fósseis é o grande nó hoje?

Professor Álamo – É um problema que tentamos combater e contar com a colaboração dos nossos colegas pesquisadores. Infelizmente, temos problemas com a UFRJ que tem um programa de coleta permanente de fósseis da Bacia do Araripe. Eles levam esse patrimônio para as gavetas da UFRJ. Assim também como temos problemas com a USP, que também vem de forma suspeita e leva material daqui adquirido com peixeiros. Isso é um problema muito sério. Além de quebrar o trabalho que a gente faz de educação ambiental, com Geopark Araripe, junto aos quebradores de pedra Cariri, a USP dilapida o nosso patrimônio cultural.

Perfil

O paleontólogo Antônio Álamo Feitosa Saraiva, 56, nasceu no Crato, no Cariri cearense. É professor, desde 1994, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Regional do Cariri (Urca). É coordenador do Laboratório de Pesquisa Paleontológica da Urca e um dos pesquisadores que articulou a criação do Geopark Araripe. Certificação chancelada pela Unesco. O selo firma protocolos para preservação, educação e uso sustentável do patrimônio geológico/paleontológico e imaterial de nove geosítios no Cariri. São eles: Batateiras (Crato), Pedra Cariri e Ponte de Pedra (Nova Olinda), Parque dos Pterossauros e Pontal de Santa Cruz (Santana do Cariri), Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada (Missão Velha), Riacho do Meio (Barbalha), Colina do Horto (Juazeiro do Norte).

O outro lado

O POVO enviou perguntas para um professor pesquisador da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ) e, também, para o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Além de ter entrado em contato com José Artur de Andrade, chefe do Escritório Regional/Crato do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Durante a semana, será publicada matéria sobre o assunto levantado pelo paleontólogo Álamo Saraiva. O POVO também tentou conversar com o professor David Martill, da Universidade de Portsmouth (Inglaterra), mas ainda não teve retorno.

Leia também



Multiservice - Fauston
Top Móveis_Crato Janeiro 2020

Enquete

Qual sua avaliação das ações do governo do presidente Jair Bolsonaro?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...
© Copyright 2019 — Caririceara.com. Todos os direitos reservados