H1N1 tem agressividade igual à de anos anteriores, diz estudo

GRIPE1 - RJ - 27/07/2009 - GRIPE/MASCARAS - GERAL OE JT - Populares procuram por atendimento médico nas tendas montadas no Hospital Municipal Miguel na Gávea zona sul do Rio. Na foto, doméstica Maria dos Anjos Gomes, 62 anos, comprou mascara na loja de tintas para ir ao polo de atendimento. Foto: FABIO MOTTA/AGENCIA ESTADO/AE

Sequenciamento genético feito pelo Instituto Evandro Chagas em amostras de vírus de gripe coletadas em dez Estados do Norte e do Nordeste revela que o H1N1 não está mais agressivo do que em anos anteriores. O estudo mostra que a capacidade de a cepa provocar doenças e de se propagar na população se manteve inalterada. A conclusão derruba a hipótese, apresentada por infectologistas, de que a alta dos casos poderia estar associada a um potencial mais ofensivo do vírus.

O estudo também mostra que a prevalência do H1N1 entre os pacientes com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) chegou a 100% das amostras coletadas na rede pública das duas regiões. Resultado semelhante não era registrado desde 2009, ano da pandemia causada pela influenza A.

Para a pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratório do instituto, Mirleide dos Santos, a rapidez da proliferação do H1N1 está ligada a outros fatores. Uma das hipóteses seria o aumento do número de viajantes estrangeiros no Brasil durante dezembro e janeiro, provocado pelo câmbio favorável. "Parte dos turistas pode ter chegado ao País portando o vírus, que encontrou uma população suscetível", afirmou.

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A última epidemia provocada pelo H1N1 no Brasil foi em 2013. "Depois disso, outras cepas passaram a circular com maior prevalência", disse Mirleide. O intervalo de dois anos levou a uma redução significativa dos indicadores de influenza em 2014 e 2015. Em contrapartida, o grupo de pessoas mais suscetíveis ao vírus cresceu. Associado a esses dois fatores está um problema já identificado por especialistas: a antecipação do surto, sobretudo em São Paulo e Santa Catarina.

Os novos casos teriam encontrado autoridades sanitárias ainda desmobilizadas e uma população vulnerável — como idosos, crianças e gestantes — mais suscetível, uma vez que a vacina ficou pronta somente na semana passada.

 

O problema também foi apontado ontem pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro. Ele disse estar preocupado com o aumento do número de casos, principalmente por estar acontecendo em um período atípico. "Mas fomos ágeis e antecipamos a distribuição da vacina a partir do dia 1º", afirmou.

Otimismo

A boa notícia do sequenciamento genético é que o vírus em circulação sofreu mutações pontuais, o que garante que a vacina usada atualmente é efetiva. A proteção, no entanto, não é imediata. Tradicionalmente, a vacina contra influenza começa a aumentar a imunidade a partir de duas semanas após a aplicação. A proteção mais acentuada se dá um mês depois. A estimativa é de que, um ano depois da aplicação, a imunidade contra a infecção já esteja bastante reduzida.

Para fazer a análise, o Evandro Chagas, referência da OMS (Organização Mundial de Saúde) para influenza, avaliou 464 amostras. Ao contrário do que aconteceu em outras regiões, o aumento de casos de influenza A no Norte e no Nordeste nesses meses não surpreende — historicamente, é registrado nesta época do ano. "Ele está mais ligado ao aumento das chuvas. Ao contrário do que se vê no Sul e Sudeste, onde indicadores estão associados a baixas temperaturas", disse Mirleide.

R7

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