Mantega rebate acusações de executivos da Odebrecht

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O ex-ministro Guido Mantega chega para depor na sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo Foto: Divulgação

O GLOBO

SÃO PAULO. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega negou, em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ter solicitado a executivos da Odebrecht contribuições por caixa 2 para a chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014.

O petista compareceu à sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) na noite desta quinta-feira a pedido da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, no processo que julga a chapa por suspeita de abuso econômico-financeiro. Ele falou à Justiça por cerca de uma hora.

— Mantega deixou claro que todas as afirmações de Marcelo Odebrecht são mentirosas e peça de ficção. Depois de ouvirmos dez executivos da Odebrecht no processo, essa foi a primeira vez que pudemos ouvir uma testemunha de defesa e falar sobre os fatos (que envolvem a acusação) — disse o advogado de Dilma, Flávio Caetano.

Os defensores de Dilma pediram que Mantega fosse ouvido no processo para responder às acusações de ex-executivos da Odebrecht, que relataram ter recebido do então ministro pedido de apoio financeiro ilegal para a campanha presidencial do PT e do PMDB.

— Ele disse que tudo isso é mentira. Como ministro da Fazenda, era comum que ele participasse de reuniões coletivas e particulares com executivos da Odebrecht, terceira maior empresa brasileira. Jamais houve conversa sobre pagamentos, em caixa um ou caixa dois — disse o advogado de Dilma.
Mantega foi citado pelos delatores da Odebrecht como principal interlocutor do governo Dilma junto à construtora para pedir doações de campanha. De acordo com executivos da empresa, parte dos recursos solicitados, em espécie, foram repassados a Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que foi responsável pela campanha.

Em delação premiada recém-homologada pela Justiça, Moura confirmou ter sido orientada por Mantega a procurar a Odebrecht para obter recursos ilegais, conforme revelou O GLOBO. Ela mencionou encontros privados com o ministro para tratar apenas deste tema.

— Desde 1989, Guido Mantega colabora com as campanhas do PT e na formulação de programa de governo. Como ministro da Fazenda, era normal que ele participasse de reuniões para discutir o programa do partido e a postura em debates, jamais para pedir dinheiro —rebateu o advogado de Dilma na noite desta quinta-feira.

Mantega chegou ao TRE-SP acompanhado de seus advogados e saiu sem dar entrevista à imprensa. O teor do depoimento está sob segredo de Justiça. Flávio Caetano disse que a defesa da ex-presidente vai solicitar acesso à delação do casal Santana antes que eles prestem depoimento ao TSE, conforme solicitou o Ministério Público Eleitoral.

Mantega teria sido identificado em uma planilha de controle de pagamentos ilegais da Odebrecht com o codinome “pós-itália”, uma referência ao fato de ele ter sucedido Antonio Palocci no comando do Ministério da Fazenda. No mesmo documento, Palocci foi identificado como “italiano”, segundo investigações da Lava-Jato.

Via Extra

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