Reflorestamento empresarial vira oportunidade de negócios para empreendedores

O reflorestamento é um dos grandes aliados no combate às mudanças climáticas, pois ele contribui para o sequestro de CO2 e a redução do efeito estufa. Mas o que nem todo mundo sabe é que ele também pode ser uma grande oportunidade de negócio para os pequenos empreendedores. No Ceará, já existem algumas iniciativas no plantio de árvores como Acácia Mangium, Mogno Africano, Cedro Australiano, que, além de ajudarem no reflorestamento de áreas, também podem ser comercializadas para serem utilizadas nas indústrias moveleiras e da construção civil.

Experiências do uso do reflorestamento como oportunidade de negócio foram apresentadas durante I Seminário sobre Oportunidades para o Reflorestamento Empresarial no Ceará, promovido pela Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seapa). De acordo com o secretário adjunto da Seapa, Euvaldo Bringel, o estado do Ceará tem todas as condições de produzir madeira com foco na utilização comercial. “Temos uma extensa faixa litorânea adaptada para essas culturas e, na região semiárida, também outras espécies já demonstraram boa adaptação, utilizando pouca irrigação. A recomendação do governador Camilo Santana é que procurássemos outras oportunidades de negócio que não dependessem tanto da água, e o reflorestamento está dentro desse perfil”, explicou.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Reflorestadores do Semiárido, Chico Rosa, o reflorestamento de áreas com foco na comercialização da madeira já é uma realidade no estado. “Este movimento de cultura de madeira nobre foi iniciado por mim, pelo Henrique Aragão, em Viçosa, e pelo Evilásio, em Cascavel, mas hoje essa cultura já está sendo disseminada pelo estado, principalmente a partir da distribuição de mudas pelo Governo do Estado. Hoje já existe mogno plantado em mais de 480 propriedades rurais de 30 municípios do Ceará”.

De acordo com ele, o custo acessível de implantação de um plantio de mogno e a rentabilidade que ele pode gerar são fatores que tornam o reflorestamento empresarial atrativo para pequenos produtores e empreendedores. “O custo de implantação de um 1,7 hectares de mogno não é alto e pode ser diminuído ainda com o consórcio de outras culturas, como o maracujá e pimentões. Outro fator importante é que não é preciso uma área grande, pois, em 1,7 hectares, é possível plantar até 1 mil árvores, com uma perspectiva de rentabilidade de até R$ 1 milhão em um intervalo de 10 anos”.

O mercado consumidor para essa madeira, segundo Chico Rosa, é muito grande tanto no Brasil como em países como a China e a Índia. De acordo com Euvaldo Bringel, no próprio estado, há um grande mercado consumidor que pode ser beneficiado com essa produção.  “O Ceará tem uma grande oportunidade de produção de madeira nobre, pois nós já temos um grande polo de móveis instalados na região de Marco, onde temos móveis sendo exportados para o Brasil inteiro e fora do país. Esse polo moveleiro está hoje importando madeira de outros estados, e nós temos toda condição de produzir isso aqui”.

Para o superintendente do Sebrae Ceará, Joaquim Cartaxo, a instituição pode dar uma grande contribuição no processo de estruturação da cadeia produtiva desse segmento de reflorestamento empresarial. “Essa ação de reflorestamento se enquadra na categoria de empreendedorismo socioambiental, pois, ao mesmo tempo em que contribui para o meio ambiente, produz madeira certificada para a indústria moveleira. E o Sebrae pode contribuir muito no apoio a esses empreendedores e na estruturação dessa cadeia de fornecedores para o polo moveleiro cearense”.

Diário do Nordeste

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