Seca severa afetará ao menos 80% dos brasileiros, diz pesquisa

Seca no cariri cearense. Foto: Adriano Duarte/Arquivo/Agência Caririceara.com
Seca no cariri cearense. Foto: Adriano Duarte/Arquivo/Agência Caririceara.com

O artigo quantificou os impactos projetados de aquecimento global sobre a probabilidade e a duração de secas severas nos seis países

Secas mais frequentes e duradouras causadas pelo aumento das temperaturas globais representam riscos significativos para as pessoas e ecossistemas em todo o mundo, destacou uma pesquisa da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. O estudo mostra que, mesmo ocorrendo uma elevação modesta de 1,5°C, Brasil, Índia, China, Etiópia, Gana e Egito sofrerão sérias consequências. Os seis países foram selecionados porque têm tamanhos e níveis de desenvolvimento diversos, além de representarem três continentes que abrangem biomas tropicais e temperados e contêm habitats de florestas, pastagens e desertos.

O artigo, liderado por Jeff Price e publicado na revista Climatic Change, quantificou os impactos projetados de aquecimento global sobre a probabilidade e a duração de secas severas nos seis países. “Usando projeções populacionais padrão, estima-se que 80% a 100% da população no Brasil, China, Egito, Etiópia e Gana, e quase 50% da população da Índia estejam expostas a uma severa seca com duração de um ano ou mais em um período de 30 anos”, diz Price. Com um aquecimento de 3°C, mais de 50% da área agrícola em cada nação sofreria estiagem severa também durante 12 meses, por mais de três décadas.

“Em contraste, descobrimos que cumprir a meta de temperatura de longo prazo do Acordo de Paris, que é limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, pode beneficiar muito todos os países, reduzindo bastante a exposição à seca severa para grandes porcentagens da população e em todas as principais classes de cobertura da terra, com o Egito potencialmente se beneficiando mais”, afirma. Nesse cenário, porém, a seca triplicará no Brasil.

A seca pode ter grandes impactos na biodiversidade, nos rendimentos agrícolas e nas economias, lembra Price. O estudo indica que todos os seis países precisarão lidar com o estresse hídrico no setor agrícola, potencialmente por meio da mudança de variedades de culturas ou por meio de irrigação, se houver água disponível. A quantidade de adaptação necessária para lidar com esse aumento na seca, portanto, aumenta rapidamente com o aquecimento global, conclui a pesquisa.

*Conteúdo Correio Braziliense

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