SUS perde 182 leitos nos hospitais do Ceará em cinco anos, diz Conselho

Redução no número de leitos ocorreu entre os anos de 2010 e 2015. Em todo o Brasil, houve redução de mais de 23 mil leitos.  Foto: Rprodução TV Verdes Mares

G1 CE

O Ceará perdeu 182 leitos na rede pública de saúde entre 2010 e 2015, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (17) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em todo o Brasil, a queda foi de 23 mil leitos no mesmo período, redução é de 7% – passou de 335.482 para 311.917. De acordo com a organização, as maiores perdas são em psiquiatria, obstetrícia, pediatria e cirurgia geral. A oferta de UTI também é apontada como aquém da necessidade.

Os dados do Conselho Federal de Medicina mostram que em 2010 o Ceará tinha 14.441 leitos que recebiam pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2015, o número desses leitos caiu para 14.259, de acordo com o órgão.

A queda no Ceará é de 1,3% ponto percentual, uma das menores do Brasil. As maiores reduções aconteceram, proporcionalmente, no Rio de Janeiro (22%), Sergipe (20,9%), Distrito Federal (16,7%), Paraíba (12,2%), Goiás (11,5%) e Acre (11,5%).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) não recomendam ou estabelecem taxas ideais de número de leitos por habitante. Pelo levantamento, porém, é possível observar que, em relação a outros países com sistemas universais de saúde, o Brasil tem indicadores piores. 

Para a entidade, a insuficiência de leitos é um dos fatores que aumenta o tempo de permanência dos pacientes nas emergências. O problema faz com que eles acabem "internados" nos pronto-socorros à espera do devido encaminhamento. Essa seria a principal causa da superlotação e do atraso no diagnóstico e no tratamento, que, por sua vez, aumentam a taxa de mortalidade.

Relatório da OMS que considerava os períodos entre 2006 e 2012 apontava que o Brasil possuía 2,3 leitos hospitalares (públicos e privados) para cada grupo de mil habitantes. A taxa era equivalente à média das Américas, mas inferior à média mundial (2,7) ou as taxas de países como Argentina (4,7), Espanha (3,1) ou França (6,4).

Por especialidade
Segundo o levantamento, o número de leitos de cirurgia geral passou de 41.470 para 38.503 – diferença de 2.967. Os procedimentos realizados na área incluem intervenções no abdômen, cabeça e pescoço, tecido músculo-esqueletal, sistema endócrino, traumas em geral (como os de acidente de trânsito), oncologia e doenças em fase crítica.

Também houve redução expressiva nos leitos em psiquiatria, que caíram 27,9% (passando de 38.713 para 27.912). Outra área em que a queda causou preocupação para o conselho foi obstetrícia: a oferta passou de 46.045 para 41.024 entre 2010 e 2015.

Meses depois a consulta aos recursos físicos foi restaurada. Com a “atualização” e partir dos novos números, a redução ocorrida entre outubro de 2005 e julho de 2014 chega a quase 32 mil. O novo cálculo, no entanto, mostrou também um aumento de 28% no número de leitos de UTI e de 114% naqueles destinados ao repouso e observação de pacientes.

TABELA COM OFERTA DE LEITOS
Estado 2010 2015
Rio de Janeiro 32.047 24.995
Sergipe 3.052 2.412
Distrito Federal 4.872 4.055
Paraíba 8.134 7.139
Goiás 12.667 11.206
Acre 1.409 1.246
Mato Grosso 4.783 5.180
Mato Grosso do Sul 3.728 3.784
Alagoas 5.453 4.987
Bahia 25.474 23.348
Ceará 14.441 14.259
Maranhão 13.086 12.242
Pernambuco 17.921 17.262
Piauí 7.066 6.460
Rio Grande do Norte 6.531 6.101
Amapá 914 1.001
Amazonas 5.142 4.886
Pará 11.405 10.874
Rondônia 2.863 3.199
Roraima 822 821
Tocantins 2.122 2.137
Espírito Santo 32.156 28.915
Minas Gerais 32.156 28.915
São Paulo 60.586 57.678
Paraná 21.027 18.907
Rio Grande do Sul 21.008 21.814
Santa Catarina 11.303 11.424
BRASIL 335.482 311.917
Fonte: Conselho Federal de Medicina

 

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