Teste do olhinho é aliado no diagnóstico de doenças oftalmológicas

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Simples, rápido e indolor, o teste do olhinho pode ser realizado logo após o parto ou na enfermaria

Para os bebês que nascem no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o cuidado com os olhos começa já nos primeiros minutos do pós-parto, por meio do teste do olhinho. Simples, rápido e indolor, o exame pode ser realizado ainda na sala de parto pelo obstetra ou neonatologista. O objetivo é verificar se as estruturas dos olhos do recém-nascido estão saudáveis.

O teste é realizado com o auxílio de um aparelho chamado oftalmoscópio direto, que permite ao profissional analisar os olhos do bebê através de uma lente com luz projetada. “É um teste de triagem, não de diagnóstico”, explica a chefe do serviço de Neonatologia do HGF, Fabíola Arraes. “Quando identificamos uma alteração, já encaminhamos o bebê para uma avaliação mais detalhada com o serviço de Oftalmologia”, afirma.

Também conhecido como teste do reflexo vermelho, o teste do olhinho pode apresentar três resultados possíveis. “Quando está tudo saudável com o olho do bebê, a luz projetada passa livre pelos eixos visuais, mostrando apenas o reflexo vermelho do fundo do olho”, detalha a chefe do serviço de Oftalmologia do HGF, Islane Verçosa. “Quando não há nenhum reflexo ou esse reflexo é amarelado e brilhante, é uma indicação de que há algo errado e o bebê precisa passar por exames mais completos”, acrescenta.

Nascido há pouco mais de um ano no HGF, o bebê Elvis, filho da dona de casa Fabiana Bernardino, 40, não apresentou nenhum reflexo ocular durante a realização do teste. Ao ser encaminhado para a Oftalmologia, foi diagnosticado com catarata congênita. “Foi uma avalanche de informações”, lembra a mãe do pequeno. “Meu filho tem [síndrome de] Down, cardiopatia congênita, suspeita de hipotireoidismo congênito e ainda poderia ficar cego. Meu mundo caiu”.

Considerada a principal causa de cegueira infantil do mundo, a catarata congênita é uma má formação do cristalino (lente natural dos olhos) que acontece durante a gestação e impede a passagem da luz até a retina. Apesar de ter cura, o tratamento da doença corre contra o tempo. “É preciso operar essas crianças até os três meses de vida, se não o cérebro não desenvolve a funcionalidade do olho. Passado esse período, mesmo operando, a criança pode não enxergar ou enxergar pouco”, pontua Verçosa.

A operação de Elvis foi realizada aos dois meses de vida. “Foi um sucesso”, avalia a chefe do serviço de Oftalmologia do HGF. “Operamos aqui dentro da UTI [Unidade de Terapia Intensiva] com toda a equipe mobilizada e o grande apoio da [equipe de] Anestesiologia. Por ser um bebê muito pequeno, é muito delicado”, ressalta a médica.

Hoje com um ano e um mês, Elvis trava outras batalhas, mas com os olhos bem abertos e atentos ao que acontece ao redor. “Eu não tenho nem palavras para definir esses anjos que passaram pela minha vida e pela vida do meu filho. Se não fosse o cuidado dessa equipe, não sei o que seria de mim”, compartilha Fabiana.

A atenção aos olhos deve ser contínua
Para além da catarata congênita e outras patologias que se desenvolvem durante a gestação, algumas doenças oftalmológicas surgem apenas no decorrer do desenvolvimento da criança, quase sempre de forma silenciosa. Por isso, enfatiza Verçosa, é importante que os pais estejam sempre atentos aos pequenos. “A criança tem de fixar os olhos em você; é um reflexo básico do desenvolvimento. Se ela não olha para o rosto da mãe, tem algo errado”, sinaliza.

A oftalmologista também aponta sinais comportamentais da criança que precisam ser verificados, como se aproximar ou fechar muito o olho para enxergar um objeto. “Pode ser um astigmatismo, mas também pode ser algo bem mais sério. Por isso, o teste do olhinho deve continuar sempre sendo feito pelo pediatra. É importantíssimo para a criança”, indica.

*Governo do Ceará

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