Uso da ‘pílula do câncer’ é polêmico entre médicos

Cápsulas de fosfoetanolamina são produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos Foto: Cecilia Bastos / USP Imagem

 

Após o Senado aprovar o projeto de lei que autoriza a prescrição e o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”, o nome da substância foi um dos termos mais buscados na internet ontem. Comemorada pelos pacientes da doença, que veem na cápsula uma esperança de cura, a decisão dos parlamentares foi criticada por alguns médicos, já que o composto nunca foi testado em humanos. Para entrar em vigor, a medida precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

 

A fosfoetanolamina não é registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O texto do projeto de lei afirma que a autorização do uso da pílula — desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) — se dá em caráter “excepcional, enquanto estiverem em curso estudos clínicos acerca dessa substância”. Dependendo dos resultados sobre a eficácia, deverá ser exigido registro ou a utilização da cápsula será proibida.

 

O primeiro estudo oficial sobre a fosfoetanolamina sintética, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e divulgado na última sexta-feira, sugere baixo potencial da substância para combater tumores.

 

— Sabe-se que já foram feitos alguns testes mais elementares com células e outra pequena pesquisa com animais. Mas mesmo esses dados pré-clínicos são insuficientes. Testar a substância em pessoas envolve muito mais complexidade — diz o oncologista Gustavo dos Santos Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. — É uma pílula que se diz não ter efeitos colaterais e funcionar para todo tipo de câncer. Se Deus fez algum remédio assim, guardou para ele. Não existe isso. A fosfoetanolamina pode até ter resultado positivo, mas precisa ser submetida a estudos que validem isso.

 

Substância já foi consumida por pacientes

 

Os defensores da pílula do câncer são pacientes que já a tomaram e afirmam que o efeito foi benéfico. Baseada nos relatos, a Justiça autorizou a USP a distribuir a cápsula a pessoas que vinham movendo ações para ter acesso a ela. Já a crítica dos médicos vai em cima do fato de o Senado ter invertido a ordem natural de uma droga ser testada antes de ter produção, distribuição e uso permitidos.

 

— Vamos virar cobaias — afirma Fernandes.

 

Para o cancerologista Robson Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, criou-se uma expectativa de que a fosfoetanalamina cura o câncer, mas “do ponto de vista de saúde pública, não se sabe se isso é verdade”.

 

Em comunicado, a USP reiterou que a fosfoetanolamina só foi estudada como produto químico, não como remédio. A Anvisa, em nota, afirmou que é “inusitado” uma substância criada há 20 anos nunca ter tido pedido de registro.

 


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